dantem180806.jpgPor experiência própria, o cientista político aposentado Tadeusz Nulowski advoga a tese de que o voto nulo é um legítimo instrumento de protesto. Já foi candidato a deputado e não se deu bem: ?Meus eleitores captaram a minha mensagem e sufragaram nulo!? – reconhece o ex-radialista e ex-funcionário da Sunab que posteriormente ingressou na vida acadêmica, vindo a formar-se em Ciências Políticas e Gestão Pública. Na foto de 1988, abaixo, o candidato se apresentando no horário eleitoral gratuito.

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Tato Nulowski, como é mais conhecido, nasceu no extinto bairro curitibano do Estribo Ahu. Começou a vida profissional carregando fios nas transmissões esportivas da rádio ?Marumba Querida?, até galgar o alto posto de plantonista esportivo. Depois de dez anos na carreira radiofônica, Nulowski arrumou uma boquinha na extinta Sunab (Superintendência Nacional do Abastecimento). Naquele cabide de emprego, Tato ganhava pouco. Apenas o suficiente para manter os seus inúmeros vícios noturnos. Sinuca, principalmente.

Foi na Sunab que ex-radialista despertou realmente para a política, mais exatamente durante o Plano Cruzado, implantado em 1.º de março de 1986 por Dílson Funaro, ministro da Fazenda do governo de José Sarney. Nas intermináveis filas dos açougues, sentiu na carne – que era disputada a tapa – o prazer da popularidade e a doce picada da mosca azul. O Fiscal do Sarney chegava a ser aplaudido nos botecos da periferia, depois de ter autuado um português por falta de azeitona na empadinha. Declarou Tato Nulowski, na época: ?Chega de botar azeitonas nas empadinhas dos outros. Vou tratar de botar dezenas, centenas, milhares de azeitonas nos meus próprios quitutes?.

Tadeusz Nulowski aderiu à Nova República na primeira hora e até hoje guarda na parede um retrato do ex-ministro da fazenda Dílson Funaro, de quem recebeu o diploma de Fiscal de Sarney. O Plano Cruzado não deu certo, mas candidatura Nulowski deu. Depois, é claro, de inúmeras negociações dentro e fora da base governista. 10% de um, 20% de outro, mais uma comissão aqui, outra lá para as despesas com santinhos, tudo em nome da moralização da vida pública.

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O candidato Nulowski tinha sua plataforma política radicalmente estampada nas bandeiras populares: farta distribuição de cestas básicas e tudo pelo social. Era esta a plataforma de Nulowski, a nível de:

1 – A nível de transparência na administração pública, vidro fumê em todas as repartições. A nível de viabilização, perfeitamente factível.

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2 – A nível de competência, o Estado precisa ser administrado como se fosse um Todo. Ou seja: Deus, o Todo Poderoso.

3– A nível de resgate precisamos resgatar os resgates culturais, históricos e, principalmente, hipotecário.

4 – A nível de saúde, saudações atleticanas, coxas e paranistas.

5 – A nível de educação, tradição, família (vai bem?) e propriedade.

6 – A nível de seriedade com a coisa pública, chega de piadas de papagaio e português. Precisamos urgentemente mudar o discurso e contar aquela da bicha grávida; ou a classe política corre o risco de cair no descrédito perante aos vários segmentos da sociedade organizada.

7 – A nível de avanços, a segurança no trânsito merece ser repensada: são muitos os companheiros avançando o sinal. Dez ou vinte por cento, seria razoável. Ocorre que os companheiros estão mordendo até a nível de porta de igreja quadrangular do segundo turno.

8 – A nível de conscientização política, a luta continua: não vote nulo, vote Nulowski.