Nada de novo no front

A jornalista Adélia Maria Lopes foi consultar publicitários, jornalistas, políticos e os caros telespectadores acerca do horário eleitoral gratuito nos meios de comunicação. Leia as opiniões.

?Continua aquele despreparo. Mas esgotamos nossa capacidade de ficar irritados diante de um espetáculo lamentável. Ninguém está dando a mínima para a campanha política. Há uma falta de interesse popular. Se pegar fogo, o que acho difícil, só mesmo no final.?

(Creso Moraes, relações-públicas e jornalista)

?Eu nem assisto. Vejo de relance e percebo o mesmo de sempre. Nem dá para ter opinião.?

(Rui Werneck de Capistrano, publicitário e escritor)

?O povo vai deixar de ser bobo. Pode ser que demore um pouco. Mas vai. É só ver a cara de quem aparece no vídeo.?

(Marlene de Fátima, secretária)

?Não assisto porque os programas eleitorais não me interessam. Alguns podem até ser bem feitos, mas é muito difícil continuar ouvindo promessas quando nem as da última eleição foram cumpridas.?

(Eloy Mezzadri, funcionário público)

?O horário do Tre dá bem a dimensão do que é o poder: falam os grandes e deixam os pequenos para dar apenas um ?boa-noite?. O horário deveria ser democratizado.?

(Luiz Augusto Juck, relações-públicas e jornalista)

?Acho inútil e enfadonho. Mais inútil do que enfadonho.?

(Rosemary Tardivo, jornalista)

?O horário eleitoral gratuito cumpre a sua função de garantir que o poder dominante se reproduza com facilidade maior. São favorecidos os que têm a máquina na mão. O ideal é que se fizesse justiça, oferecendo espaços iguais para todos. Eu gostaria de saber o que faria o governo com apenas três minutos diários, como acontece com vários partidos da oposição.?

(Pedro Tonelli, deputado estadual pelo PT)

 ?Nem vejo. E nem tenho ouvido falar nada sobre o programa.?

(Lucimere Cristina Silva, auxiliar de escritório)

?Honestamente não vejo. Às vezes dou uma olhada e é aquela coisa de sempre: a oposição se agarrando como pode, tentando reverter algo que parece tranqüilo.?

(João Biss, advogado)

 ?Embora possa parecer um pouco cansativo, o horário gratuito cumpre seu papel, oferecendo-nos a oportunidade de conhecer um pouco mais os candidatos. Reconheço que a participação de alguns chega a ser ridícula, devido à exigüidade de tempo. Mas talvez isso pudesse ser resolvido concentrando-se o tempo em um número menor de apresentações.?

(Orlando Pessuti, deputado estadual pelo PMDB)

?A eleição anterior foi mais divertida, mais disputada. A eleição não chega a empolgar, ainda mais pela ausência de candidato novo e novas propostas. São figuras todas conhecidas. Na eleição passada havia mais interesse. Hoje há janelinhas, sem que nenhuma idéia seja desenvolvida, até em termos de qualidade está sem nada diferente. Agora há um dado interessante: o videocassete toma conta dos lares, o que não acontecia das vezes passadas, e o telespectador usa o horário dos candidatos para rever filmes. O índice de audiência devia estar pela casa dos 65 pontos, já que se trata de um programa em rede. Mas existe também um desencanto muito grande na política.?

(Jamil Snege, publicitário e escritor, ex-participante de campanha)

***

Parece que foi ontem. A jornalista Adélia Maria Lopes colheu os depoimentos acima nas eleições municipais de outubro de 1988, para a edição domingueira deste O Estado do Paraná, quando editava com sua reconhecida competência o caderno de variedades Almanaque. ?Horário gratuito na TV? Nem de graça!?, era o título da matéria de capa.

Quase dezoito anos depois, Adélia foi cuidar dos netos e, nas horas vagas, emprega seu talento na área editorial de moda. Daquela reportagem, nem mesmo as vírgulas merecem reparos.

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