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Yuri Ochakovsky e
o Planeta Água – 2003

Duas vezes vencedor do Festival Internacional de Humor Gráfico de Foz do Iguaçu, o cartunista russo Yuri Ochakovsky tornou-se personagem fantasma de uma rede de intrigas, cuja origem é uma caluniosa e irresponsável notícia veiculada na internet, a partir de Foz de Iguaçu.

Seria cômico, bem no espírito de um festival de humor, se fosse apenas intriga de um provinciano desconfortável com o sucesso alheio. Pode se tornar trágico, e comprometer a idoneidade de um dos maiores eventos culturais da América Latina, se uma mentira, de tanto ser repetida, adquirir peso de uma verdade.

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A calúnia pretende atingir pessoalmente os dois criadores do festival: o cartunista Ziraldo e o jornalista Rogério Bonato: diz a calúnia que o cartunista russo não existe, seria um nome de ficção, com CPF e conta bancária de Rogério Bonato. E júri das duas edições do festival, composto pelos mais conceituados e expressivos cartunistas brasileiros, apenas fantoches manipulados para premiar com 10 mil dólares um russo que não existe nem na Sibéria.

Como integrante da comissão julgadora que avalizou esta última premiação, acho desnecessário justificar aqui a decisão dos jurados, até porque a obra de Ochakovsky vai bem além das três fronteiras das Cataratas do Iguaçu. Mas, para que a mentira, de tanto ser repetida, não se transforme em verdade, entrevistamos o vencedor do Festival Internacional de Foz do Iguaçu, Ochakovsky, que atualmente vive em Israel. A tradução é de Ilia Dmitriatchev, correspondente estrangeira no Brasil da agência de notícias russa Itar Tass.

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Você poderia nos contar um pouco sobre a sua história?

Ochakovsky – Eu nasci em 13 de abril de 1952 na cidade de Kishinev, na Moldávia, antiga URSS. Sou filho de mãe russa e pai israelita. Após concluir o 10.º grau da escola secundária (NT: na Rússia o ciclo básico dura dez anos), ingressei no Instituto Politécnico de Kishinev (NT: equivalente a universidade), no qual me graduei em arquitetura. Após me formar, trabalhei como arquiteto, a maior parte dos meus trabalhos era de projetos de edifícios industriais, feitos por recomendação (NT: a indicação se dava por ele ser um profissional de grande capacidade). Depois de alguns anos, após a desintegração da URSS, imigrei em 1995 para Israel. Aqui (em Israel) trabalhei numa agência de propaganda e num escritório de arquitetura, e também como simples operário numa empresa industrial. Atualmente, como forma de sobrevivência, trabalho como segurança numa empresa particular.

Há quantos anos o senhor participa de salões e festivais de humor?

Ochakovsky – Quando eu morava na URSS eu trabalhava como arquiteto. Caricatura era meu hobby. O único concurso de caricatura para onde enviei meu trabalho foi a Bienal de Caricatura de Gabrovo, na Bulgária. Informações de outros concursos eu simplesmente não tinha. A minha primeira caricatura publicada foi editada no catálogo da Bienal Internacional de Gabrovo, em 1975. A minha participação ativa nos concursos de caricatura começou quando eu já vivia em Israel. Iniciando em 1999, 2000. Desde então, em diferentes concursos internacionais, eu já conquistei centenas de prêmios, incluindo 18 primeiros lugares. Na imprensa eu quase não publico meus trabalhos.

O senhor está feliz em ter ganho o Festival de Humor das Cataratas? Qual foi sua reação ao saber do resultado?

Ochakovsky – Claro que estou feliz. Inclusive ainda estava muito surpreendido com o resultado do primeiro concurso. Como se sabe, um projétil nunca cai duas vezes na mesma cratera (NT: citando um ditado russo). Mas grandes prêmios, como se exulta, caem.

O que o senhor pode comentar sobre o concurso realizado na cidade de Foz do Iguaçu?

Ochakovsky – A quantidade de participantes do concurso e a quantidade de países que eles representam falam por si mesmas. Se o seu festival for realizado de forma estável e anual, sua influência sem dúvida vai crescer a cada ano. E se também forem feitos anúncios com um pouco mais de antecedência e de forma mais extensa, o festival vai ter influência ainda maior.

O senhor já conhece as Cataratas do Iguaçu? Gostaria de vir ao Brasil para conhecer a nossa cidade e nossa maravilhosa natureza?

Yuri Ochakovsky e o
Planeta Turismo – 2004

Ochakovsky – Eu tomei conhecimento da existência de Foz do Iguaçu no ano passado, quando vi o anúncio sobre a realização do festival de humor. Pela internet eu vi fotografias das cataratas. É uma fábula!!! (NT: na Rússia, quando estão muito impressionados com uma coisa, se diz que estão num conto de fadas.) Eu espero algum dia poder estar nesta fábula!!!

Falando um pouco sobre sua vida pessoal, o senhor é casado, pratica alguma religião, ou algum esporte?

Ochakovsky – Eu estou divorciado. Tenho um filho que é casado, ele mora comigo junto com sua esposa. Em breve eu serei avô, terei uma netinha. Sobre a religião, eu sou ateísta, mas estimo os valores cristãos. Sobre o esporte, quando eu era jovem, eu gostava muito de jogar futebol e defendia o time da minha escola. Agora sou torcedor de televisão, assisto aos jogos em casa. E durante as copas do mundo eu torço pela seleção brasileira. São meus ídolos.

Até sexta-feira, 28 de fevereiro, se Deus quiser e São Pedro permitir que dê praia.