Ao Paraíso, longa vida e inspiração aos grafiteiros, esses artistas anônimos que fazem do concreto das cidades uma democrática e multicolorida galeria de arte popular.
Ao fogo dos infernos os pichadores, esses cupins do patrimônio público que vêm roendo a paisagem urbana, escrevendo torto com linhas tortas pela mão do demo. A última sortida desses gafanhotos urbanos aconteceu em plena campanha eleitoral, quando os nefastos aproveitaram-se de um showmício de Wanessa Camargo, no Centro Cívico, e picharam sem dó nem sensibilidade um dos maiores patrimônios artísticos do Paraná, o painel de Poty da Praça 19 de Dezembro. Recém-restaurado com verba e consultoria do governo italiano, o belo painel que ilustra a história paranaense – justamente na praça que empresta o nome da data da emancipação política do nosso Estado, em 1853 – foi barbaramente pichado, ou empastelado, como se diz no jargão jornalístico. Há testemunhas do vandalismo: garçons de um estrelado restaurante junto à praça presenciaram o ataque, mas fazer o quê? Na atual ordem de valores, obra de arte "é um Rolex de ouro vagando entre o aeroporto e o Batel"; a praça com o mural de Poty, ao lado das esculturas de Erbo Stenzel, é horta para gafanhotos.
Até sexta-feira; e mirem-se no exemplo dos grafiteiros, meninos. Este é o caminho, mirem-se no exemplo dos que fazem arte popular pelas calçadas do terceiro planeta depois do Sol.
DANTE MENDONÇA