As eleições se avizinham e nós outros precisamos estar atentos para o batido cardápio de promessas eleitorais que vão nos apresentar os senhores candidatos. Uma delas é mais pontual do que enchente no Boqueirão: os candidatos abrem suas caixas de pandora e prometem milhões de empregos. Disputam um particular campeonato de quem dá mais. Assim foi entre Lula e Serra, assim será entre Vanhoni e Beto Richa, aqui em Curitiba. Ou teremos outros candidatos na batalha de Curitiba?
Precisamos ficar atentos. Repetindo o refrão, não cabe ao Estado prover da cartola carteira de trabalho para o trabalhador da iniciativa privada. Digamos que ao eleito cabe o papel de árbitro e, no transcorrer da partida, não atrapalhar o bom andamento do jogo.
Então, se não cabe ao futuro prefeito assinar carteira de trabalho de ninguém, além dos regulamentares atletas que ele próprio escala para seu próprio jogo, quais sinceras ações de governo podemos esperar? Segurança? Huum… isso cabe ao governo estadual. Fome zero? Isso é com o Lula. Espetáculo do crescimento? Isso, Deus nos livre e guarde. Não é o caso de Curitiba, essa garota que já passou da fase de crescimento. Cultura? Eu faço, tu fazes, ele faz; nós fazemos, vós fazeis, eles “fazemos”!
Com toda a sinceridade, do cardápio dos senhores candidatos esperamos que eles nos sirvam, simplesmente, um bem feitinho feijão com arroz; e sobremesa para adoçar o espírito. Os analistas políticos podem argumentar: feijão com arroz não enche barriga de urna; enche barriga o banquete de graça servido no imaginário da tevê. No horário eleitoral todo almoço é de graça. Contrariando a aritmética básica de que não existe almoço “de grátis”. Assim como não existe calçada grátis, por conta do cartão de crédito do prefeito. E olha que só as calçadas de Curitiba merecem um programa de governo à parte.
Sinceramente, apesar dos alegóricos programas de governo que os consultores devem estar maquinando, desde já penhoro meu voto para o candidato com a cara e a coragem de vir a público se comprometer com a proteção das velhas árvores de Curitiba. Que esse candidato, também com toda a sinceridade, reconheça que em Curitiba, com seus 55 metros quadrados de área verde por habitante, o prefeito não tem condições de oferecer tratamento de tal forma personalizado. Assim, sincero e singelo, que o candidato convoque seus munícipes, de qualquer idade, para voluntariamente se apresentarem padrinhos e vigilantes de uma árvore da cidade. Sem placa, penduricalho ou carteirinha, no fio do bigode. Com a municipalidade mantendo sua responsabilidade legal, arcando com todos os ônus que já lhe cabem.
Na minha vizinhança se posta uma veneranda árvore de sobrenome ilustre: Alfeneiro ligustrum lucidum oleaceae. Com aproximadamente 50 anos de idade, ganharia então um padrinho. Num breve reencontro, não custaria ao voluntário vigilante atentar o ouvido e anotar queixas: “Galhos secos, proliferação de parasitas, galhos podados de forma errada, erva-de-passarinho”. O padrinho ligaria para o 156 (o número externo da Prefeitura) e passaria o diagnóstico:
– Galhos secos, proliferação de parasitas, poda mal feita e erva-de-passarinho.
– Ela se queixou das raízes, caro padrinho? perguntaria o atendente do 156:
– A mim, ela não se queixou. Mas, entenda, nessa idade elas escondem certos sintomas. Seria bom mandar um especialista.
– Nada mais?
– Minha afilhada se queixou de uma pequena dor no tronco, mas parece que ela dormiu mal na noite passada. Alguém bêbado, chutando lata, tirou uma lasca do casco.
– Isso passa. Como ela está de respiração?
– É aquele probleminha crônico: poluição!
– Isso está fora da minha alçada. De resto, mais alguma coisa?
– Só isso!
Até quarta-feira, vizinhos do Alfeneiro ligustrum lucidum oleaceae.