Lula e as costelas de porco

Lembra de um partido chamado PT? Lembra de quem puxava o coro, cantando no palanque que “outro mundo é possível”? Pois é. Na última terça-feira, o discurso foi outro: “Eu não mudei, o mundo é que mudou”. E mudou mesmo, quem diria?

Tem uma boa piada judaica que, de certa forma, explica o PT da oposição e o PT no governo. A anedota ilustra porque, com o PT dando as cartas, todo pecado será perdoado: até macular os antigos mandamentos da Previdência, escritos nas pedras que a senadora Heloísa Helena leva na frasqueira e delas hoje lança mão para atacar as vidraças do palácio.

Mas vamos ao humor judaico, sem dúvida dos mais elegantes e mordazes do mundo. Woody Allen está aí pra provar.

É a história de um rabino que estava indo da sinagoga para casa, quando viu um dos seus bons amigos. Um piedoso e estudioso judeu, que usualmente batia o rabino em argumentos e discussões.

O rabino começou a andar mais depressa, de modo que pudesse alcançá-lo, quando ficou horrorizado de ver o seu amigo entrar num restaurante chinês. Um restaurante não “kosher”, que serve comida impura segundo a lei judaica, tipo carne de porco, peixe sem escama, misturas de leite com carne, etc.

Parado na porta, ele observou seu amigo falando com o garção e gesticulando sobre um cardápio. Após um curto tempo, o garção reapareceu trazendo um prato cheio de costela de porco, camarão num molho de lagosta, caranguejo e outras comidas “treif” (?impuras?), que o rabino não poderia suportar nem pensar.

Como o seu amigo pegou a costela de porco e começou a comer tal comida, o rabino adentrou furioso ao restaurante e censurou o seu amigo, ordenando que não ficasse lá por muito tempo.

– Morris, o que é isso que você está fazendo? Eu vi você entrar nesse restaurante e pedir essa imundície! Agora você está comendo uma costela de porco! Violando tudo que nós conversamos sobre as leis dietéticas e com um aparente prazer e satisfação que não enaltecem sua piedosa reputação!

Morris contestou:

– Rabino, o senhor me viu entrar nesse restaurante?

O rabino anuiu com a cabeça que sim.

– O senhor viu eu pedir essa comida?

Novamente o rabino acenou afirmativamente.

– O senhor viu o garção me trazer a comida?

De novo o rabino acenou que sim.

– E o senhor me viu comendo?

Confirmou novamente o rabino.

– Então, rabino, eu não vejo nenhum problema aqui. Todas as coisas foram feitas sob a supervisão rabínica!

(Na comida “kosher” – pura, de acordo com a lei judaica -, sempre existe escrito que foi supervisionada pelo rabinato. Portanto, assim sendo, é puro, é “kosher”.)

O mundo mudou e as velhas ortodoxias estão ultrapassadas. Supervisionado pelo rabinato do partido, o Fome Zero não consegue o milagre da multiplicação dos pães. Mas os neopetistas hoje se lambuzam com as costelas de porco, até pouco tempo uma imundície. As imundícies dos juros exorbitantes, a estagnação da economia, as artimanhas das reformas previdenciária e tributária, os conchavos suspeitos em nome da sustentação parlamentar, violam tudo o que discursavam sobre as antigas leis, com um aparente prazer e satisfação que não enaltecem a piedosa reputação.

Até quarta-feira, porque Deus é justo e bom: Lula está prometendo um novo regime e tirar do cardápio da Granja do Torto as calóricas costelas de porco.

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