O governo argentino suspendeu as importações de carne do Brasil, seguindo o exemplo da Rússia. A justificativa não é um caso de origem zoológica, mas sim de geografia: a decisão da Argentina de suspender as importações foi reforçada pela divulgação equivocada por parte da imprensa argentina de que o foco de aftosa teria sido registrado no ParaNÁ, e não no Pará, como realmente ocorreu. Esses argentinos são amigos da onça. Ou, são los hermanos da onça.

Já os russos suspenderam pelo mesmo motivo, mas compreende-se: as autoridades russas, assim como os americanos, ainda acham que a capital do Brasil é Buenos Aires, o presidente Lula mora na Casa Rosada, o Maradona joga no Flamengo e tem uma nega chamada Teresa.

Não é bem assim: a capital do Brasil é Brasília, o Maradona não largou a carreira e o Lula está nos Estados Unidos, comendo carne argentina, enquanto os nossos criadores e exportadores comem o pão que o diabo amassou, porque os argentinos são convictos de que Pelé é melhor que Maradona e o Pará é o ParaNÁ, assim como o Oceano Atlântico banha o Paraguai.

Pará ou ParaNÁ, absolutamente, não vamos declarar guerra à Argentina por causa de duas letras surrupiadas. Mas o governo brasileiro devia tomar (epa!) uma atitude. De minha parte, sugiro grafar o nome do nosso estado assim: ParaNÁ. E vamos passar a chamar os argentinos de los hermanos da onça.

Vamos retaliar. Se os argentinos, digo, se los hermanos da onça querem convencer o mundo de que as nossas vaquinhas estão doentes, de nossa parte vamos espalhar que o Botafogo, o pior time do mundo depois do Ibis, é um time de futebol de Buenos Aires. E que los hermanos da onça não sabem fazer três coisas: assar carne, dançar tango e fazer sexo. Saibam todos, os vinhos deles são próprios para fazer sagu. Mais ainda, seremos cruéis, vamos contar ao mundo a verdade nua e crua: Carlos Gardel nasceu na França e era uruguaio desde criancinha.

ParaNÁ não é o Pará e não confundam nossas vaquinhas, hermanos da onça. Indistintamente, bois e vacas recebem no ParaNÁ melhor tratamento do que na Índia, por incrível que pareça. Ao contrário da Argentina, onde a vaca foi pro brejo faz tempo, as vaquinhas do ParaNÁ recebem cama, comida e roupa lavada. São absolutamente saudáveis, tanto que nosso gado é vegetariano, não fuma, não bebe e, para manter as gordurinhas, não freqüenta academia de ginástica.

O presidente Lula com certeza não sabe, mas um boizinho brasileiro ganha por mês muito mais do que este novo salário mínimo. Estipêndio, portanto, superior ao de um trabalhador pátrio. Façam as contas, senhores deputados: feno, rações balanceadas, vitaminas, cuidados veterinários, vacinações períódicas contra brucelose e aftosa, noves fora casa, conta de luz, água e moradia.

Sem contar os marajás bovinos, aqueles reprodutores milionários. Puros de origem, recebem por mês salário de senador, têm dezenas de diplomas na parede, mestrado, doutorado e falam três ou quatro línguas. Só não voam, por enquanto.

Mas, se depender da Argentina, ainda veremos bois voadores aqui no Mercosul.

GENEROSIDADE – Dante, ao ler sua coluna nesta quarta-feira ensolarada, em que a metade decente do país pranteia a morte de Leonel Brizola, chamou-me a atenção o seu elogio à generosidade do engenheiro, como ele próprio gostava de ser chamado. Sim, de fato Brizola foi um político generoso e endosso todas as suas palavras, aliás muito bem escolhidas, como de hábito.

Escrevo-lhe, no entanto, para elogiar a sua assombrosa capacidade de identificar pessoas generosas, como Brizola, Temístocles Linhares, Cláudio Barreto e tantos outros que vez por outra desfilam, para nosso gáudio, em sua prestigiosa coluna. São pessoas de épocas e atividades tão distintas que apresentam, sempre, uma qualidade comum: a generosidade. E você tem o olhar de lince para detectar essa virtude. Bom é saber que em meio a jornais e jornalistas que por ação ou omissão nadam nas águas fáceis da violência, há um escriba em O Estado do Paraná que faz a apologia da generosidade. E o que é a violência senão a ausência da generosidade ?

Naquela mesa está faltando ele, Dante, mas felizmente não está faltando você! Vida longa para você e sua coluna, amigo! Naquela mesa ou naquele balcão… você escolhe.

(Professor Manika)

Até quarta-feira; e muito mais generoso é você, caro Manika.

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