Para os nascidos sob o signo do Zorro, Mandrake e Batman, super-herói era o destemido que defendia os fracos e oprimidos (os “frascos e comprimidos”, no dizer do Barão de Itararé) e nesta galeria do bem não tinha lugar para Ronald Biggs, por exemplo, o lendário assaltante do trem pagador inglês que veio morar no Rio de Janeiro. Bandido era bandido, mocinho era mocinho. Depois disso, as revistas em quadrinhos viraram raridades nos baús de colecionadores e, graças aos efeitos especiais politicamente corretos do cinema americano, os mocinhos foram ficando cada vez mais insossos e os bandidos agridoces.

Conta um motorista de táxi que, não faz muito tempo, um passageiro na rodoferroviária de Curitiba pediu para ser levado até a Polícia Federal, no bairro de Santa Cândida.

– Quero ir até lá para pegar um autógrafo do Fernandinho Beira Mar! – disse o rapaz, com o sotaque ítalogauchesco da serra catarinense.

Entre outros benefícios, a Operação Lava Jato causou uma certa transformação no imaginário de heroísmo da nova geração. Nos últimos meses, não são poucos os que descem em Curitiba para passar em frente à sede da Justiça Federal na Avenida Anita Garibaldi, ver de perto o temeroso prédio da Polícia Federal e até conhecer ao vivo o japonês bonzinho em uma de suas idas e vindas do Aeroporto Afonso Pena.

Sem contar que, numa estadia prolongada, é bem possível fazer uma selfie com Sérgio Moro e família no almoço de domingo em Santa Felicidade. Ou – por que não? – também é possível cruzar com o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato, rodeado de admiradoras e dando autógrafos na Rua das Flores.

Por se tratar de um turismo autóctone, o prefeito Gustavo Fruet deveria criar em Curitiba a Linha Lava Jato – semelhante à Linha Turismo, os ônibus especiais que circulam diariamente pelos principais pontos turísticos, quando é possível mostrar do alto o traçado da cidade que poucos curitibanos conhecem.

Basicamente, o roteiro da Linha Lava Jato deve sair do Aeroporto Afonso Pena em direção ao Complexo Médico Penal de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, para fazer em seguida o tradicional trajeto até Santa Cândida, com um japonês bonzinho de cicerone. Depois do almoço em Santa Felicidade e uma palestra sobre crime organizado aos cuidados da OAB-PR, a festiva parada na Avenida Anita Garibaldi, com as devidas saudações ao juiz Sério Moro. Para encerrar o educativo roteiro da Linha Lava Jato, o dia termina com o circuito de bares e restaurantes do Setor Histórico.

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