O penúltimo encontro entre Roberto Requião e Jaime Lerner, narrado com exclusividade por esta coluna, foi no final do ano passado, enquanto assessores acertavam detalhes da transição. Contrariando as expectativas de um diálogo tenso e muito difícil, a conversa no Palácio Iguaçu transcorreu amena. Tão amena quanto o mate gelado, batido com limão, servido no transcorrer da tertúlia. Casualmente, no domingo passado o atual e o ex-governador do Paraná novamente amistosamente conversaram. Só que desta vez bebendo um cafezinho na Boca Maldita, enquanto os circunstantes esticavam pescoços para tentar ouvir os diálogos que novamente transcrevemos aqui, com absoluta exclusividade.
Lerner – Bom dia, governador!
Requião – Jaime, disfarça e vê se nós estamos sendo filmados.
Lerner – Humm… parece que não!
Requião – Então podemos sorrir à vontade!
Lerner – Se é pra sorrir, sabe a última do Cid Campêllo Filho?
Requião – Não vai me dizer que ele ganhou no bingo?
Lerner – Soube que ele está dia e noite lendo a Bíblia, só para ferrar o teu governo.
Requião – Quem diria, agora ele é temente a Deus?
Lerner – Não, está procurando brechas na lei!
Requião – Lerner, pensando bem, não devia ter tirado a cerca do Palácio. Tirei a grade, mas agora estou cercado de malucos. Você não quer pegar o governo de volta?
Lerner – Você acha que eu sou maluco?
Requião – Pois é: ainda dizem que eu é que sou maluco!
Lerner – Pô, esse cafezinho tá de queimar a língua!
Requião – Isso já não é mais problema! Sabia que cientistas austríacos acabam de realizar o primeiro transplante de língua do mundo?
Lerner – Isto pode ser a salvação do PT!
Requião – Cura os ministros do mal da língua presa…
Lerner – …e cura o Lula da língua solta! E ainda podem transplantar a língua do Marco Maciel no Zé Alencar!
Requião – Na próxima encarnação eu quero nascer engenheiro!
Lerner – Por quê? Cansou dessa vida de jornalista?
Requião – Não. Precisava ser engenheiro pra tampar as goteiras que você deixou pra eu consertar. No Canal da Música chove mais dentro do que fora e na Copel era tanta goteira que até dava pra fazer uma outra hidrelétrica.
Lerner – Meu caro, arquiteto que não deixa goteira não é arquiteto.
Requião – Só não sei o que fazer com as goteiras lá da Renault!
Lerner – É… mas nas goteiras dos franceses eu caprichei: elas pingam uma grana preta no teu cofre!
Requião – Por falar em cofre, você paga o cafezinho?
Lerner – O que é isso, companheiro? O Lula cortou a mesada?
Requião – Pior! Com essa recessão, não tá sobrando nem pro cafezinho. Imagina pro leitinho das crianças…
Lerner – Por falar em crianças, preciso de um favor teu. Esqueci um pequeno detalhe lá no Parque das Ciências: será que você podia mandar empalhar o Rafael Greca?
Requião – Só depois de botar o Ingo Hübert na jaula do zoológico.
Lerner – Pois é… o papo tá bom, mas a dona Fani me espera pra almoçar pão com ovo.
Requião – Pão com ovo?
Lerner – Ovo, tudo bem! Pior é o pão. Você sabe, fora do poder, o padeiro é o diabo.
Requião – Já provei desse pão! Também tô indo, pois hoje vou almoçar com dona Maristela na casa do Vanhoni. Ele veio da Índia com uma receita exótica e fez questão de nos convidar pra cobaia.
Lerner – Cuidado com a pimenta da cozinha indiana.
Requião – Conheço a cozinha do Vanhoni: sei que ele não é chegado em pimenta, então levo a minha que é mais ardida que taxa de juros!
Até sexta-feira, com as últimas e exclusivas notícias de sempre.