Insieme (www.insieme.com.br) é a revista mensal, bilíngüe, dos italianos daqui. Muito bem editada pelo jornalista Desidério Peron, é o ponto de encontro da italianada brasileira, difundindo e promovendo a cultura italiana e ítalo-brasileira. Uma comunidade de 25 milhões de oriundos.
Nesta edição de setembro, o consulado italiano publica várias páginas informando sobre o “Direito de voto dos cidadãos italianos residentes no Brasil”. Agora, com a lei n. 459, de 27 de de dezembro de 2001, a República Italiana adotou normas que consentem o exercício do direito de voto aos cidadãos italianos residentes no exterior, para a eleição das Câmaras deputados e senadores e para os referendos previstos na Constituição italiana.
Os italianos brasileiros 300 mil eleitores no Brasil e quase 30 mil no Paraná e Santa Catarina – vão poder votar dobrado. Sendo que a próxima eleição, na Itália, está prevista para 2006, se Berlusconi não cair antes.
Votar sempre é uma delícia, mas eleição no primeiro mundo são outros quinhentos euros.
Começando pelas mordomias. Os eleitores receberão pelo correio, na sua casa, a necessária documentação informativa sobre as modalidades de voto, junto com o material eleitoral previsto – certificados eleitorais, cédulas, envelopes, listas de candidatos, envelopes selados para a restituição à representação consular e instruções para o voto.
Enfim, vota-se sem sair de casa, sem fila, sem urna eletrônica, sem boca-de-urna. Coisa finíssima.
E com uma outra grande vantagem: dá pra zapear a RAI, no canal 28, e miracolo! não tem horário eleitoral gratuito. Isso sim, é um espetáculo.
Uma dica pra italianada que foge do horário do TRE: a RAI está mostrando, das 12 às 14 horas, algumas partidas da segunda divisão, válidas pela Copa Itália. Na última quinta-feira, Empoli e Bari estavam se enfrentando quando a torcida começou a entoar um hino de guerra: Aquarela do Brasil – com versos adaptados para as cores locais. Coisa assim tipo aquele hino pornográfico do Atlético, que não dá pra citar a letra em casa de família.
No futebol italiano se usa uma expressão muito mais condizente com o que denominamos prorrogação. O acréscimo, após o tempo normal de partida, eles denominam recupero. O que na verdade é: recuperação. A recuperação do tempo perdido durante o tempo normal.
E fica a questão: o tempo normal de uma partida se prorroga, ou se recupera?
Luiz Augusto Xavier estava contando dia desses um causo bem a propósito, onde foi testemunha ocular e auditiva.
Estavam o Xavier e sua brava equipe almoçando numa trattoria, na Toscana, enquanto a tevê no fundo do salão mostrava uma partida entre a Holanda e um outro time que ele nem lembra mais.
A platéia de comensais, entre brasileiros e italianos, era ávida: um olho na bola, outro no macarrão. Lá pelas tantas do segundo prato e do terceiro vinho, uma confusão na área, o juiz apita:
– Pênalti! grita o brasiliano Josias Lacour, que não precisa de apresentações.
– Rigore! berra um italiano parrudo.
O Josias, que não foi pra Itália guerrear, concordou, na santa paz:
– Sim…sim…muito rigor! O juiz foi muito rigoroso, não foi, Xavier?
Pra quem não sabe, e o Josias até então também não sabia, rigore é exatamente o que ele gritou antes: pênalti!
A Sociedade Giuseppe Garibaldi, de Curitiba, marcou para a noite de 9 de novembro sua notte italiana, com a banda Vecchio Scarpone. Quem está organizando é Jeanine Campelli, uma das figuras mais queridas da comunidade italiana do Paraná e Santa Catarina. A italianada interessada deve reservar ingresso das 14 às 18 horas, junto à secretaria, ou pelo telefone 323-3530..
Arrivederci, com um baccio para Wladimir Trombini, bravíssimo presidente da Sociedade Garibaldi. Até quarta-feira.