Isso e aquilo



O fac-símile acima me foi enviado por um leitor do blog Notícias de Lisboa. Republico e transcrevo, porque notícias vindas de Portugal sempre são motivos de boas gargalhadas para nós patrícios. Especialmente essa, contando que “corria o longínquo ano de 1953, quando a Câmara Municipal de Lisboa publicou a portaria n.º 69.035, destinada a aumentar o policiamento em zonas então consideradas ‘quentes’.”

Diz o texto original da portaria lisboeta:

“Verificando-se o aumento de actos atentatórios à moral e aos bons costumes, que dia a dia se vêm verificando nos logradouros públicos e jardins, e, em especial, nas zonas florestais Montes Claros, Parque Silva Porto, Mata da Trafaria, Jardim Botânico, Tapada da Ajuda e outros, determina-se à Polícia e Guardas Florestais uma permanente vigilância sobre as pessoas que procurem frondosas vegetações para a prática de actos que atentem contra a moral e os bons costumes. Assim, e em aditamento àquela Postura nº 69.035, estabelece-se e determina-se que o art.º 48.º tenha o cumprimento seguinte: 1.º – Mão na mão (2$50); 2.º – Mão naquilo (15$00); 3.º – Aquilo na mão (30$00) 4.º – Aquilo naquilo (50$00) 5.º – Aquilo atrás daquilo (100$00).

Parágrafo único – Com a língua naquilo 150$00 de multa, preso e fotografado.”

O PIOR É QUE É VERDADE – Em Curitiba, corriam os anos 60s, quando o logradouro público preferido para tais “actos atentatórios à moral e aos bons costumes” era a Praça Osório, o quintal da Boca Maldita, naquela época quase uma floresta, tantos eram os canteiros de folhagens diversas, que deixavam aquele grande espaço no centro de Curitiba em trevas. E território livre.

Donos do pedaço, disputavam o mando de campo Oswaldinho, uma boneca bem serelepe, e a famosa Gilda, que pouco tempo depois de morta virou peça de teatro, encenada por Antônio Carlos Kraide, todos já falecidos. Correndo por fora, insuspeitos fregueses faziam ponto naqueles bancos de praça, “testemunhas oculares” de “mão naquilo”, “aquilo na mão”, “aquilo naquilo”, “aquilo atrás daquilo” e, especialmente, “com a língua naquilo”.

No meio da noite, o escritor Jamil Snege vinha atravessando a Praça Osório, vindo da pizzaria Jan-Gil, quando observou com o rabo (epa!) do olho um conhecido jornalista e um soldadinho praticando “actos atentatórios à moral e aos bons costumes”. Digamos, o jornalista, conhecido por sua voz profunda e grossa, estava “hablando al micrófono”. Ou, como dizia a portaria lisboeta, “com a língua naquilo”.

Jamil fez que não viu o “acto atentatório” e passou reto, apressando o passo.

Em vão: lá do breu, junto às samambaias, veio a voz cavernosa do jornalista.

Jamil!!!… não cumprimenta mais os amigos?

Até quarta-feira, com notícias fresquinhas de Teresina, no Piauí, apesar da temperatura local.

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