Humor do imigrante

dantem300406.jpgConforme o prometido, enfim botei o ponto final no livro que espero lançar no segundo semestre. Tem título e subtítulo:

A banda polaca – Humor do imigrante no Brasil Meridional.

O prefácio é do jornalista e historiador Ulisses Iarochinski, atualmente morando na Polônia, onde ele nos revela que o primeiro europeu a pisar em solo brasileiro foi um polaco. Pura verdade, assegura Ulisses: nas caravelas de Pedro Álvares Cabral estava o polaco Gaspar – ou Kacper – da Gama.

No posfácio, terei a honra de um especial texto do escritor Wilson Bueno: ?Tenho para mim que é sempre tempo de homenagear os polacos, esta gente que conosco construiu boa parte da mais recente história paranaense?.

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Para as ilustrações, o polaco Stacho.

Mais do que um livro de humor, A banda polaca é uma homenagem aos nossos polacos – sem qualquer sentido pejorativo, como explica Iarochinski: ?Polaco é polaco. No Brasil, por galicismo de uns e ofensa de outros, desde a Primeira Guerra Mundial cunharam o termo polonês, derivado do francês polonais (pronuncia-se polonés). Por certo, ninguém chama o chileno de chilenês, o mexicano de mexicanês, o italiano de italianês, ou mesmo o brasileiro de brasilianês. Da língua polaca, para o português, a tradução correta: Polska = Polônia / Polak = Polaco. O adjetivo pátrio polonês (de polonais) foi sugestão do embaixador da França ao cônsul Gluchowski em 1927, em Curitiba, como forma de substituir a portuguesa palavra polaco, que era usada no Sul do Brasil para agredir e ofender os imigrantes e seus descendentes?.

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A Banda Polaca, de saudosa memória, era uma banda carnavalesca que criamos em Curitiba para homenagear as nossas graciosas ?polacas? – loiras, ruivas ou morenas. Agora, a fuzarca empresta o nome ao livro, no sentido de um outro lado do Brasil. O Brasil Meridional do imigrante.

O mestre Wilson Martins nos legou Um Brasil Diferente, obra fundamental para o nosso autoconhecimento; e assim é o humor paranaense. O anedotário acentua o temperamento arredio e tímido, a ingenuidade e o sotaque polacos. O humor do imigrante nessa banda polaca tem acento próprio, o jeito eslavo de contar uma história. Não tem sotaque carioca, paulista, baiano, gaúcho, catarina ou mineiro.

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A banda polaca conta estórias recolhidas alhures, do Pilarzinho a Guarapuava, ou em hilárias mesas com amigos polacos de origem ou de espírito, com a nossa linguagem, para ser lido – se possível – com o nosso sotaque leitE quentE.

LUZ NÃO É PECADO – Desgostoso com a sua vida sexual, Stacho (Stanislaw) foi consultar o médico.

– Doutor, Maruska e iéu não estamos mais assim como antigamente. De tempo para cá estamos desinteressados. Ali pelas sete da noite a gente já terminou de jantar, lava os pé, reza, veste o pijama e já pra cama. Deita no colchão de palha, se cobre com a coberta de pena, assopra o lampião, fica no escuro e entón tenta fazer o que podemos.

O médico foi bem franco:

– Trinta anos desse jeito, não há interesse sexual que agüente. Faz o seguinte: primeiro de tudo, deixa a luz acesa.

– Mas, doutor… luz acesa nie sendo pecado?

– Antigamente era. Agora não é mais. Pode deixar a luz acesa.

– E daí, o que é que iéu fazendo?

– E daí você começa a tirar a roupa de Maruska devagarinho, bem devagarinho. Tira pedaço por pedaço. Acaricia o corpo da Maruska, Maruska retribui, e vocês vão indo, vão indo, vão indo e tudo vai ficar melhor.

– Estar bem bom, doutor. Iéu indo combinar com Maruska.

Daí uma semana, o médico cruzou com o Stacho na Rua Carneiro Lobo (Assim se diz: Rua ?bicho bom, bicho ruim?).

– Stacho, fez o que eu mandei?

– Iéu fiz, doutor. Fiz, fiz….

– Então, foi bom?

Stacho tirou o chapéu, coçou a cabeça e concordou:

– Bom foi… mas a criançada quase se arebentou de dar risada!

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