Não aquele conhecido eleitor de carteirinha, com adesivo no peito e bandeira na mão. Eleitor a preço de ouro também não é você que está a ler o jornal, preocupado com o risco-Brasil, a guerra do Bush, ou interessado em saber em qual estúdio de segurança máxima a rede Globo vai confinar Elias Maluco.
Eleitor jóia rara é aquele que os marqueteiros da campanha de José Serra denominam como pró-soft : os eleitores não consolidados, os que ainda não têm certeza absoluta que a sua opção final será o candidato x, o candidato y, ou qualquer garotinho da hora. Uma fortuna eleitoral que hoje representa de 6% a 10% do eleitorado de Lula, mais os periclitantes entre os nanicos e a “serra pelada” dos indecisos.
Marqueteiro, você conhece a raça, vacilou, eles inventam uma expressão em inglês- tipo jogo rápido – para qualquer coisa mais complexa. Assim eles não precisam gastar o vernáculo explicando maiores detalhes para comuns mortais: é pró-soft, e estamos conversados.
Marqueteiro é um bicho muito estranho, igual aos eleitores. E essa fauna da comunicação tem razão quando define, em inglês, o que não é politicamente correto definir em português.
Pró-soft, por exemplo, traduzido para o bom português, seria o eleitor popularmente denominado de rabanete: vermelho por fora, branco por dentro. Da mesma família do eleitor melancia, a esquerda de carteirinha. Vermelho por dentro e verde por fora, que depois da queda do muro de Berlim virou ecologista.
Assim, podemos localizar uma gama infindável de eleitores hortigranjeiros. Eles podem decidir uma eleição.
ELEITOR-CHUCHU: É uma massa maleável e neutra, dá pra qualquer coisa. Acompanha o que vier: da esquerda à direita.
ELEITOR-PAMONHA: Já vem enroladinho e se derrete na boca de urna.
ELEITOR-BANANA: Compra-se em qualquer esquina e não vale um santinho.
ELEITOR-TOMATE: Um eleitor típico do eixo Rio-São Paulo: quando sai de casa pra votar, sempre pisa no tomate!
ELEITOR-LARANJA: Esta é da espécie mais conhecida preferida do Brasil. No nordeste, dá mais que eleitor chuchu.
ELEITOR-LIMÃO: Já votou no Getúlio, no Juscelino, no Jânio, no Collor, no Lula, no FHC e desistiu do Ciro. Mais azedo, impossível!
ELEITOR-ABACAXI: Só cresce na porta do comitê e não é fácil de descascar.
ELEITOR-CEBOLA: Normalmente pede uma ambulância e conta uma longa história. É de chorar!
ELEITOR-BERGAMOTA: Não rejeita uma cesta básica, mas sai contando pra todo mundo.
ELEITOR-PIPOCA: Não tem candidato fixo. Vive aos pulinhos, de um pro outro.
ELEITOR-FAROFA: Acompanha qualquer lingüiçada de campanha.
ELEITOR-CANA-DE-AÇÚCAR: Pra morder um votinho, haja dentadura!
ELEITOR-JACA: Ninguém gosta, mas faz volume.
ELEITOR-PIMENTA: Quando não pede emprego, é refresco.
ELEITOR-BATATA: Pra colher um voto, basta um abraço apertado e um sorriso dobrado: é batata!
Até domingo, com os melhores votos deste eleitor que é uma uva: nem santinho pede. Mas, se insistir, aceita um bom vinho francês.