IgNobel é um prêmio para celebrar o inusitado e honrar o imaginativo. Em 1991, estudantes da Universidade de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos, institucionalizaram uma réplica debochada do famoso Nobel. Uma láurea irreverente aos autores de pesquisas, teorias ou descobertas excêntricas e improváveis.
Um dos primeiros agraciados com o prêmio IgNobel foi o escritor Erich Von Däniken, autor de ?Eram os Deuses astronautas?. Em 1991, mereceu o IgNobel de Literatura por explicar como as civilizações foram influenciadas por antigos astronautas. Jay Schiffman foi inventor consagrado do AutoVision, um projetor de imagens que torna possível dirigir um carro e assistir televisão ao mesmo tempo. E os legisladores do Estado de Michigan também foram homenageados, por tornar isso legal.
Os físicos Andre Geim e Sir Michael Berry usaram um poderoso magneto para levitar um sapo e um lutador de sumo. Por sua vez, Dr. Len Fisher achou o melhor jeito de molhar um biscoito. Gauri Nanda levou para casa o IgNobel de Economia por inventar um despertador que foge e se esconde para garantir que o dono vai mesmo sair da cama. Na química, Edward Cussler e Brian Gettelfinger, da University of Minnesota, testaram experimentalmente a velha questão: as pessoas nadam mais rápido em água ou em xarope? Da Austrália, vários cientistas catalogaram odores peculiares de 131 espécies de rãs quando estressadas. Dois médicos indianos descobriram que coçar o nariz é uma atividade comum entre adolescentes; e um japonês ganhou o IgNobel de Nutrição por fotografar e analisar cada refeição que consumiu durante 34 anos.
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Sempre anunciado uma semana antes da proclamação da academia sueca, nesta edição de 2006 o Nobel do bizarro foi entregue no Teatro Sanders, de Harvard, que contou com a presença de nada menos que sete Prêmios Nobel de verdade.
Saudado com uma chuva de aviõezinhos de papel, o prêmio em Ornitologia foi para Ivan Schwab e Philip May, da Universidade da Califórnia, por terem explorado em dois artigos científicos por que os pica-paus não têm dor de cabeça, apesar de baterem a cabeça contra árvores 12 mil vezes por dia com uma força 1.200 vezes maior que a da gravidade.
Em Medicina, o destaque coube a dois grupos de cientistas, um de Israel e outro dos EUA, que chegaram de forma independente ao mesmo tratamento para soluços persistentes: massagem retal digital com ?lentos movimentos circulares?. O trabalho foi apropriadamente publicado na revista Anais da Medicina de Emergência.
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Para o próximo ano, o Paraná vai mostrar o seu valor. Está sendo encaminhado ao IgNobel de Política o nome do deputado Hermas Brandão, experiente político que nestas eleições adaptou para a disputa eleitoral o célebre enunciado do engenheiro Edward Murphy, o autor da famosa Lei de Murphy: ?Se houver duas ou mais maneiras de fazer qualquer coisa e uma delas resultar em catástrofe, alguém a fará.? Ou, como prega Luiz Inácio Lula da Silva: ?Se não tivermos sucesso, corremos o risco de fracassarmos?.
Ex-presidente da Assembléia Legislativa e agora governador em exercício – o que lhe sobrou da maionese – , o sempre simpático Hermas Brandão teceu uma costura política de tantos fios que conseguiu dar um nó no próprio pescoço e atar numa laçada só uma perna e um braço de Roberto Requião no primeiro turno.
Foi uma estratégia política que só o PT paulista, em seus momentos de maior inspiração, conseguiria engendrar: a fração tucana tinha a pretensão amarrar uma coligação do PMDB com o PSDB. O que no Paraná, nos últimos anos, é equivalente a arranjar o casamento do genro com a sogra. O enlace não deu certo: a noiva fugiu com o amante e o noivo ficou aguardando no altar com uma aliança de falsos brilhantes.
A costura não só foi lamentável, como pode chegar a um desenlace IgNóbil!