Haja saco!!!

Eles só pensam naquilo: emprego, saúde e educação. Entra campanha e sai campanha, são promessas mínimas e básicas dos candidatos no palanque eletrônico. Eu, tu, ele, nós, vós, eles, todos conjugam a mesma parolagem pra eleitor dormir no horário eleitoral.

Emprego, quem há de garantir? Ou o candidato inventa milhões de bicos na máquina pública, ou então precisa combinar antes com o patrão da fábrica de fraldas descartáveis: em 2003 ele é obrigado a abrir 800 novas vagas e não vem que não tem!

Saúde não é boa vontade do candidato, é obrigação do eleito.

Educação, a Constituição determina. Prometendo ou não prometendo, tanto faz, vale o que está escrito.

Quando os candidatos cantam, em prosa e verso, emprego, saúde e educação, não fazem mais do que reconhecer a cesta básica do cidadão. Portanto, nada de novo, tudo de velho – no discurso.

Isso não quer dizer que o eleitor não deve ficar atento ao palavrório que escorre da telinha, pois a esperança é a última que morre e aleluia! vai que algum garotinho maluco beleza proponha, por exemplo, cobrar imposto pelo uso do saco plástico?

IMPOSTO DO SACO, HAJA SACO!

Pois foi o que aconteceu na Irlanda e deu no jornal:

– O governo irlandês conseguiu reduzir em 90% o uso de sacos de plástico em 3 mil estabelecimentos comerciais, em iniciativa ecológica iniciada em março. A redução foi obtida em função da cobrança de uma taxa para o uso dos sacos plásticos.

Desde que o imposto começou a ser cobrado milhões de sacolas de plástico deixaram de ser usadas e o governo ainda arrecadou 3,5 milhões de euros (o equivalente R$ 10,4 milhões). O dinheiro arrecadado será usado em projetos ambientais.

Os clientes estão pagando 15 centavos de euro (R$ 0,45) para cada saco usado em supermercados ou outros estabelecimentos comerciais.

O comércio do país de pouco mais de 3,5 milhões de habitantes voltou a usar sacos e embrulhos de papel. Agora, o plano, seguido de perto por técnicos norte-americanos e britânicos, pretende estimular os consumidores a utilizar bolsas mais resistentes que possam ser usadas várias vezes e já são vendidas em supermercados por aproximadamente um euro (R$3,06).

A PRAGA DO SACO

Depois da Aids, o topete do Ronaldinho e a lipoaspiração, o saco plástico é uma das maiores pragas da humanidade. Saco plástico, este invólucro daninho, ataca sorrateiramente e o supermercado é seu habitat natural. E não adianta pedir socorro: um nabo e dois rabanetes, dois sacos plásticos. Duas maçãs, um pêssego e duas laranjas, três sacos plásticos. Até na banca de jornal, paraíso do papel, quem diria: um jornal, uma revista, dois sacos plásticos. Na locadora, o filme pode ser velho, mas o saco é sempre novinho.

Cada corpo ocupa seu lugar no espaço? Ocupava, hoje ocupa um saco plástico.

Saudades dos sacos de antigamente. Do velho e bom saco de papel, ou então do surrado saco de pano, um pra cada coisa: tinha o saco pra comprar pão e o saco de buscar carne no açougue. Quando a compra era grande, haja saco. De lona e dos grandes. Naqueles bons tempos, quando inverno era inverno, verão era verão, e o povo tinha saco pra tudo.

Quem tem esperança de eleger um garotinho qualquer que tenha peito e saco de cobrar imposto pelo saco plástico, pode tirar a idéia do saco. Até porque nos embrulham com suas variadas quinquilharias de campanha, em sacos plásticos: santinhos de papel (de 3 a 6 meses para se decompor), camisetas (de 6 meses a um ano), plaquetinhas de madeira (13 anos para decomposição), penduricalhos de plástico ou metal (100 anos), ou então um cinzeiro de vidro com o nome do candidato (1 milhão de anos para se decompor).

Até quarta-feira, se você ainda estiver com saco!

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