Guéri-guéri, guizmerráun!!

“Tribos urbanas”, você já ouviu falar disso. Eu também, mas o assunto nunca me empolgou. Faz pouco tempo reconsiderei o tema, quando passei a analisar o comportamento da “tribo” do meu atual boteco de estimação, o Ao Distinto Cavalheiro, ali na esquina da Saldanha com Visconde de Rio Branco. Dos bravos guerreiros de épirráu dessa pequena tribo, um deles é muito especial: o engenheiro químico Cláudio Barreto, ambientalista de velha e boa cepa, com vários prêmios na área. Atleticano e fluminense (o que é uma de suas contradições), há muitos e muitos anos é curitibano. Não se sabe bem por quê, arribou do Rio de Janeiro pra cá, sem escalas. Suspeitamos que Claudinho (como é bem lembrado) tenha largado a cidade maravilhosa por um trauma de juventude, uma pequena vergonha que ele a poucos confessa: no colégio, foi colega de turma de Fernando Collor de Mello.

De bem com a vida e sem ressentimentos, não acha que o mundo lhe deve, podemos dizer que Claudinho é um brasileiro cordial. Cordial e bem humorado. E seu bom humor se expressa, principalmente, num linguajar próprio e espontâneo, com leve acento carioquês. Ele fala uma língua que poucos entendem, a não ser os de nossa “tribo urbana”. Para os novatos da aldeia, resta a dúvida: seria este idioma o alemão, grego, tailandês ou javanês? Nem um, nem outro. Claudinho Barreto fala a língua Guére-guére. Ou, o Guére-guerêz.

Aos noviços, elaboramos um ligeiríssimo dicionário do Guére-guére, com alguns verbetes e expressões traduzidos para o português. Alguns poucos, pois o vocabulário de Claudio Barreto é inesgotável.

DICIONÁRIO GUÉRE-GUÉRE

Guéri-Guéri: Olá, como vai? Guizmerráun: Divino, maravilhoso. / Zeriguetranze: Tudo bem! / Zeriguetranze unt born: Como é que vão as coisas? / Tranzente born: O pessoal apareceu. / Chibabinha de chaparaózinho: Pegar leve. / Torquato-quato, índio véio toiçadinha: Só coisa fina. / Guizme-Guizme: Você está bem, você está bonita! / Istrumela isbauradinha: Hoje está tudo complicado! / Bôscheleibow: Mulher bonita. / Vazari!: Cai fora! / Te dou um kew no alto da sinagoga: Te dou um tranco! / Quaash-quaash-quaash: Vamos bater um papinho. / Ziriguidum: Meu amigo. / Baterum guéri-guéri cuia com a amargura: Bater um papo com a namorada / Bzzzzzzzz…. : Venha nessa. / Buti-buti-fon-fon-fon: Vamos bater um papo. / Osbauro?: Cadê todo mundo? Fronmyloveunderstool: Quero fazer amor com você. / Jetblekpoplaik: Coisa boa. / Stô com as marrafius: Tô com a grana. / Strumelou-se!: Tô duro! / Zérig!: Saúde! Tim-tim! / Zerig Dei: Feliz ano novo. / Zerig-yé!: Boa sorte! / Zerig craw?: Tá a fim de um caso/ficar? / Quinquinha: grande esposa / Zerigtranzeuntemborn: Venha! / Dizibus!: Tô fora! / Ié-ié!: Tchau! Até depois!

COMPLETANDO o papo de boteco, alguns chistes de boteco, pra contar no boteco:

DOIS SUJEITOS conversando num barzinho:

– Aqui o barulho é tamanho, que não consigo ouvir as minhas próprias palavras – comenta o primeiro.

– Não se preocupe – responde o outro. – Você não está perdendo nada!

UM SENHOR, novo na cidade, pergunta a um bando de rapazes:

– Podem os senhores me indicar onde fica a Rua Ignácio Camillo (pronunciando o g em Ignácio)?

– Essa rua fica logo ali, à esquerda, responde um eles. Mas não se diz Ignácio, é Inácio. O senhor conhece a regra que diz que antes de n, o g não se pronuncia?

– Não, eu inorava isso.

DOIS AMIGOS entram num boteco bem vagabundo.

– Uma cerveja bem gelada, por favor! – e um deles avisa: copo limpo, por gentileza!

Alguns minutos depois chega o botequeiro com a cerveja, os dois copos e pergunta:

– Qual dos dois pediu copo limpo?

Até domingo, e zerig-yé pra todos!

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