O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.
Martin Luther King
O fato seria real. Teria acontecido em um vôo da British Airways entre Johannesburgo (África do Sul) e Londres. Uma mulher branca, de aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar na classe econômica e viu que estava ao lado de um passageiro negro. Visivelmente perturbada, chamou a comissária de bordo.
– Qual o problema, senhora? – perguntou a comissária.
– Não está vendo? – respondeu a senhora. – Vocês me colocaram ao lado de um negro. Não posso ficar aqui. Você precisa me dar outra poltrona!
– Por favor, acalme-se! – disse a aeromoça. – Infelizmente, todos os lugares estão ocupados. Porém, vou ver se ainda temos algum disponível.
A comissária se afasta e volta alguns minutos depois.
– Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre na classe econômica. Falei com o comandante e ele confirmou. Temos apenas um lugar na primeira classe.
E antes que a mulher fizesse algum comentário, a comissária continuou:
– Não se permite que um passageiro da classe econômica se acomode na primeira classe. Porém, tendo em vista as circunstâncias, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa desagradável.
E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária prosseguiu:
– Portanto, senhor, caso queira, por favor, pegue a sua bagagem de mão, pois destinamos para o senhor um lugar na primeira classe.
E todos os passageiros que assistiam à cena começaram a aplaudir, alguns de pé.
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A seguinte história é fictícia. A mesma cena, em um vôo da Varig entre Paris e Rio de Janeiro.
Uma mulher branca, de aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar na classe econômica e viu que estava ao lado do ex-ministro José Dirceu. Visivelmente constrangida, chamou a comissária de bordo.
– Qual o problema, senhora? – perguntou a comissária.
– Sinto muito, mas é uma questão de consciência – respondeu a senhora. – Vocês me colocaram ao lado do ex-ministro José Dirceu. Nada de pessoal contra o ex-deputado cassado, mas não posso ficar aqui. Meus princípios exigem uma outra poltrona!
– Por favor, acalme-se! – disse a aeromoça. – Infelizmente, todos os lugares estão ocupados. Porém, vou ver se ainda temos algum disponível.
A comissária se afasta e volta alguns minutos depois.
– Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre na classe econômica. Falei com o comandante e ele confirmou. Temos apenas um lugar na primeira classe.
E antes que a mulher fizesse algum comentário, a comissária continuou:
– Não se permite que um passageiro da classe econômica se acomode na primeira classe. Porém, tendo em vista as circunstâncias, o comandante arrumou um jeitinho para contornar esse desconforto.
E, dirigindo-se ao ex-deputado, a comissária prosseguiu:
– Ministro Zé Dirceu, por gentileza: eu apanho a sua bagagem de mão, pois destinamos para o senhor uma poltrona na primeira classe.
E todos os passageiros que assistiam à cena torceram o nariz. O mais exaltado gritou à constrangida senhora:
– Ô, madame! Não vê que está atrasando o vôo?
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O fato se passou no início da semana, na inauguração de uma quadra de esportes em escola estadual de Paulo Lopes, na Grande Florianópolis, com a presença do secretário estadual da Educação Diomário de Queiroz, políticos graúdos, banda de música e foguetório.
Em meio à solenidade, o diretor da escola começa o discurso afirmando que não considerava a quadra de esportes inaugurada, porque a obra estava inconclusa. Os tijolos ainda não estavam bem amarrados e tudo poderia desabar a qualquer momento.
Surpreso e constrangido, o secretário da Educação pediu a palavra e declarou solenemente que a obra "estava desinaugurada".
E saiu de fininho.