Nada mais angustiante do que entrar em férias em janeiro, bem época de transição política. Nunca sabe como vai estar o clima no resto do ano.
Mais fora do ar que assinante da NET, confesso que cheguei a telefonar aqui pro jornal sondando uma possível suspensão do verão, parte de algum inédito programa governamental de contenção de energia e testosterona.
– Quanto à testosterona, continua tudo no velho sistema. (Me informaram.) Quanto à energia, bem no dia da posse do Dr. Paulo Pimentel, na Copel, faltou luz aqui na Redação!
– Pronto, começou a retaliação! (Fora da área de serviço, foi só o que me passou pela cabeça.)
No boteco, já fui deixando bem claro que voltei perfeitamente enquadrado aos novos tempos politicamente corretos.
– Companheiro, voltaste das férias bem negro!
– Negro, não! Afro-catarina!
Quando o velho companheiro neopetista começou o inquérito, fui bem cauteloso:
– Então, deu pra aproveitar?
– Com o sol fazendo hora extra, água morna, areia fina e rede branca na varanda, não faltou programa na agenda. Mas é bom ressaltar: tudo com ênfase no social!
– E qual foi a repercussão da cozinha ministerial, lá na orla catarina?
– Sinceramente, companheiro: faltou sal. Mas como o regime está seguindo a velha dieta, compreende-se. Só tem um porém: os catarinas não estão nada satisfeitos com a Secretaria Especial da Pesca, entregue a um companheiro petista e catarina, ex-prefeito de Chapecó, terra onde nasceram os suínos e seus derivados.
– Queriam o quê? Uma Secretaria Especial do Porco?
– Não! Queriam o Jorge Bornhausen no lugar dele. Em Santa Catarina até os raros argentinos sabem: quem mais entende de pesca no estado é o senador do PFL. Ele não faz outra coisa na vida a não ser pescar com Esperidião Amin. Não tem toca que o Dr. Jorge não tenha cadastrado e todas as garoupas e lagostas são filiadas ao PFL.
– Verdade que a dona Marisa foi eleita a musa do verão?
– É uma unanimidade. Mas o assunto do momento no litoral é o projeto do deputado Gustavo Fruet delimitando os mares territoriais.
– Como assim?
– O assunto é complexo: o Guga está propondo que a projeção dos limites territoriais, nas zonas de reentrância da linha de costa, siga a linha geodésica ortogonal à direção geral da costa, definido pela direção S046-30 para projetantes dos limites dos estados do Sul.
– Simplificando…
– Pelo que os surfistas conseguiram captar, é o seguinte: anexar ao litoral do Paraná uma boa parte do litoral catarina, de Bombinhas pra cima.
– E Florianópolis?
– Aí já é uma outra questão de limites marítimos. E pelo que consta, os gaúchos já tomaram conta.
– Então o Paraná ficaria com um litoral maravilha, da Ilha de Superagüi à Ilha de Porto Belo.
– Mas há uma controvérsia: os surfistas entendem que, dentro do projeto de mares territoriais, seria bem razoável entregar Matinhos para os paulistas.
– Taí um assunto deveras complexo para ser debatido sem uma cerveja bem gelada.
Até sexta-feira, com muitas cervejas: pois a fome é zero e a sede muita.