Estalactite é pra baixo, Estalagmite é pra cima. Foram feitos um para o outro. Tite e Mite estão se conhecendo há anos. Namorados, quase casados. Moram no mesmo prédio, mas dividem o apartamento em dias de não e em dias de sim. Em dias de não, Estalagmite mora com a mãe no apartamento de baixo. Em dias de sim, ela fica com Estalactite, no apartamento de cobertura. Estalactite, o Tite, mora em cima. Estalagmite, a Mite, mora embaixo

Tite vive de rendas. Renda dos pinheirais da família esparramados pelo Brasil meridional, agora transformados em fundos de renda fixa e imóveis. A maioria apartamentos no litoral e no Batel. Estalactite, além de ser pra baixo, é um perfeito canalha.

Estalactite é pra baixo, Estalagmite é pra cima. Formada em Comunicação Social, com habilitação para Relações Públicas, oficialmente, é produtora, promoter e banqueteira. Mite é pra cima, gosta do que faz, sua vida é profissionalmente uma festa.

Estalactite e estalagmite atravessam, por esses dias, uma séria crise de relacionamento. E todo ano é a mesma coisa. A uma semana do carnaval, Tite e Mite ainda não decidiram se ficam ou não ficam em Curitiba no carnaval. Ou, fico ou não fico, eis a questão. A velha polêmica curitibana não afeta o relacionamento apenas do casal. Nesta época, Curitiba racha entre os que ficam e os que não ficam. Nos últimos 15 anos, os que não ficam estão vencendo, abrindo grandes vantagens estatísticas sobre os que ficam. E a prova está no tamanho das escolas de samba de Curitiba. Minguam ano a ano, acompanhando as vendas de confetes e serpentinas nas lojas especializadas. Fontes do setor apontam uma quebra de 20% ano. O cenário, que no tempo do Afunfa era uma beleza, agora é desolador.

Enquanto isso, a polêmica continua.

– Tite, ficamos ou não ficamos?

– Eu fico!

– Eu não fico! Nem morta vou passar o carnaval em Curitiba, jogando tranca com você! Nem morta, meu louro!

– Tranca? Nunca na minha vida joguei tranca. Pôquer, eu jogo pôquer! Jogo de homem e não de gay.

– Mas no carnaval, comigo você joga tranca. Sábado de carnaval você me tranca no apartamento e cai na gandaia. Gandaia e pôquer! Domingo me tranca, segunda me tranca e na quarta-feira de cinzas também me tranca.

-Mite, minha nêga! Eu vou ficar! Agora, se você também ficar, eu prometo: vamos fazer amor quase todos os dias.

– Exatamente igual ao carnaval passado! Fizemos amor quase todos os dias: quase fizemos no sábado, quase fizemos no domingo, quase fizemos na segunda e quase fizemos na quarta-feira de cinzas.

– Se você ficar, eu posso me regenerar.

– Não fico!

– Se você ficar, não vai se arrepender, mulher! Calcule o transtorno de um carnaval no litoral. Pra descer a serra, serão quatro horas de congestionamento na ida, oito horas na volta. Em lá chegando, só vai encontrar argentinos, paraguaios, motoqueiros enfurecidos, hordas de pagodeiros, mosquito e cerveja quente. De dia vai faltar água, de noite vai faltar luz. A previsão não falha, vai chover três dias e três noites. Então serão três de dilúvio, pôquer e tranca. Fica ou não fica?

Não fico!

– Você venceu, gata! Eu também não fico. Mas com uma condição: tua mãe vai junto.

– Nâo acredito! Repete!

– Gata, além de argentinos, paraguaios, motoqueiros enfurecidos, hordas de pagodeiros, mosquito e cerveja quente… para um carnaval na praia ficar perfeito, só com a sogra junto!





Até quarta-feira, véspera de quinta-feira, quando será realizada a festa carnavalesca do “Fico ou não fico?”, no Bar Ao Distinto Cavalheiro. Quem fica em Curitiba veste a camiseta “Eu fico!” Quem não fica, veste a camiseta “Eu não fico!”.

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