É sempre nas vésperas de feriadão que constato a falta de imaginação de minha parte. Com tantos lugares no mundo para viajar – Paris, Veneza, Roma ou Barcelona -, o destino é sempre o mesmo: Balneário Camboriú, a mais paranaense das praias paranaenses que por um acidente geográfico encontra-se sob jurisdição de Santa Catarina.

Mas fazer o quê? – pergunta o curitibano, ajeitando a bagagem no automóvel, enquanto o vizinho de apartamento já se encontra além da curva do tomate, quase cruzando São José dos Pinhais – Balneário Camboriú é destino praiano dos paranaenses desde a década de 50. O primeiro grande edifício do balneário tem nome de pé-vermelho: Edifício Londrina. Os primeiros comerciantes que botaram o pé naquela areia eram empreendedores oriundos de todo o Paraná, uma gente que conhecia o mar de folhinha de calendário. De pai pra filho, desde quando o único hotel de Balneário Camboriú era o Hotel Fischer, na ponta sul, seis em cada dez placas de carros que desfilam pela Avenida Atlântica são paranaenses. Muitos recém-chegados, outros ali de passagem, alguns já residentes. Como é o caso de Jaira Barreto, ex-toda-poderosa do gabinete do então prefeito Jaime Lerner, hoje não quer outra vida, aposentada de caniço e samburá.

Se no meu caso é falta de imaginação – bem podia estar estirado na praia artificial às margens do Rio Sena, a quatro passos do Boulevard Saint Michel -, para tantos outros assim não lhes parece. Balneário Camboriú é uma pequena metrópole, com cerca de 80 mil moradores em pouco mais de 40 anos de existência. Com uma área territorial de 46,4 km2, o município tem na sua orla um aglomerado de edifícios de dar inveja a qualquer capital do País. Um paredão imobiliário odioso, convenhamos. Cultura urbana de uma época onde a tevê era em preto e branco e o maior sucesso da programação era o Vale-Tudo. Em Balneário Camboriú o sol nasce para todos; mas o pôr-do-sol é só para os que têm apartamento de cobertura.

Dados do IBGE revelam que Balneário Camboriú teve um aumento populacional de 55,46% nos últimos anos. De acordo com o historiador Luiz Carlos Chedid, que vive na cidade desde sua fundação – em entrevista para o jornal A Notícia, de Joinville -, o Brasil atravessava uma fase de recessão econômica muito grande nas décadas de 60 e 70, que fizeram com que o turismo passasse a ser um filão de mercado em desenvolvimento. “Isso levou muitas pessoas às cidades litorâneas. Houve uma verdadeira migração para nossa região”, destaca Chedid, que, pelo sobrenome, pode ser algum “brimo” aqui de Curitiba. O historiador revela que a expansão do turismo e a busca por empregos no litoral também garantiram destaque para outros setores da economia. “O crescimento da construção civil, por exemplo, fez com que cada vez mais pessoas passassem a morar na cidade. Para se ter uma idéia, se todas as pessoas que têm propriedade em Balneário Camboriú hoje resolvessem vir morar em seus imóveis, a população cresceria em mais de 50%”, conta. Chedid acredita que para o futuro tem que haver uma reestruturação da cidade e uma maior conscientização em preservar os atrativos naturais.

Noves fora os atrativos naturais, os atrativos artificiais é que fazem de Balneário Camboriú uma cidade de dar inveja. Tudo, e mais um pouco, além da proximidade com o Paraná, Balneário Camboriú tem, tanto quanto Florianópolis. Com exceção do Box 32 e do Mercado Público. Não falta onde comprar, bem comer, beber e dançar; nesse quesito, é hoje referência nacional na música eletrônica. Do bar ao mar, a cidade vai contar com uma marina de primeiro mundo, que era só o que faltava, em construção pelas mãos da iniciativa privada. O acesso ao mar, pela barra do Rio Camboriú, não é mais um estorvo: um muro de contenção, avançando 200 metros mar adentro, já está pronto, com calado suficiente para receber poderosos veleiros e barcos de todo o Atlântico Sul; e te cuida, Punta del Este!!!

Até domingo, de Balneário Camboriú. É falta de imaginação, mas eu gosto: sempre é bom rever os amigos de Curitiba, aqueles que a rotina e o úmido inverno separam no dia-a-dia.

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