Fala, polaco!

Contrariando bons modos, na semana passada afirmei com todas as letras que o italiano e anarquista Giovanni Rosso “introduziu a soja no Brasil”. Isto no contexto da saga da família Cini, cujo patriarca, Egizio Cini, italiano do Vêneto, imigrou com seus compatriotas embalados nos eventos anarquistas que sopravam na Europa daqueles tempos. No Brasil, se instalaram em terras doadas pelo imperador D. Pedro II, onde Giovanni Rossi fundou uma comunidade anarquista, a Colônia Cecília: comunidade libertária fundada aqui em Palmeira (PR), em 1890.

No mesmo domingo, fui corrigido pelo jornalista curitibano Ulysses Iarochinski, editorchefe da seção brasileira da Radio Holanda Internacional, em Hilversum-Holanda.

– Meu caro Dante. Acabo de ler sua coluna de 17/8/03, Apreço não tem preço, e gostaria de fazer a necessária correção em uma informação: o introdutor da soja no Brasil não foi Giovani Rossi “onde colaborou na criação das primeiras cooperativas agrícolas e se tornou um técnico de mérito reconhecido, introdutor da soja no Brasil”, mas sim o polaco Czeslaw Biezanko, no Rio Grande do Sul. Ele trouxe dois quilos da oleaginosa da Polônia e plantou pela primeira vez em Pelotas. Quanto ao cooperativismo no Brasil, também não é correta a afirmação de que foi Rossi o criador das primeiras cooperativas, pois este movimento iniciou em Guarani das Missões, no Rio Grande do Sul, também com imigrantes polacos.

Czeslaw Marian Biezanko(1895-1986), que foi professor da Universidade Federal do Paraná e da Faculdade de Agronomia de Pelotas, é tratado no livro publicado nos Estados Unidos chamado Polish Contributions to Latin American Culture de Edmund S. Urbanski, como o introdutor da soja no Brasil.

Mais ainda, o Padre Zdzislaw Malczewski Schr, editor da Revista (revista de estudos polono-brasileiros) escreve: “Tudo isso é o resultado do pesado trabalho dos pioneiros europeus, entre os quais se encontravam também os imigrantes poloneses e os seus descendentes. Foram muitos deles que, após desbastar a selva tropical na região da hoje próspera Ijuí, mudaram-se para a região de Guarani das Missões, a cerca de 100 quilômetros de distância. O imigrante polonês e as suas sucessivas gerações transformaram as florestas intransponíveis em campos cultivados. Foi justamente na região do atual município de Guarani das Missões que o professor Czeslaw Odrowaz Mariano Biezanko iniciou entre os colonos poloneses o cultivo da soja. Para expressar o seu reconhecimento diante desse cientista polonês, em 1963 o governo federal condecorou-o com a distinção da Ordem do Cruzeiro do Sul e oficialmente atribuiu-lhe o título oficial de pioneiro do cultivo da soja no Estado do Rio Grande do Sul”.

Ou seja, como é de reconhecimento nacional que a soja no Brasil começou a ser cultivada no Rio grande do Sul temos depois dessa condecoração do governo brasileiro, a prova irrefutável, assim sendo não tem como o italiano anarquista Rossi ser considerado o introdutor da soja no Brasil, essa honraria (por causa da medalha) é do polaco Biezanko.

DE NOSSA PARTE, Ulysses Iarochinski falou tá falado. Mas há controvérsias. Por um problema de espaço, podia ter citado que Giovanni Rossi, quando desistiu, ou foi desistido, da experiência de Colônia Cecília, migrou primeiro para o Rio Grande do Sul, onde deve ter tido contato com Biezanko e a soja. Só depois ele se estabeleceu em Rio do Sul (SC), onde também, junto com o pai da historiadora Baetriz Pelizzetti Lolla, Ermenbergo Pelizzetti, fundou o primeiro banco de Santa Catarina, o Banco Bela Aliança. Tem ainda quem sustente que o engenheiro agrônomo Gustavo D?utra introduziu a soja no Brasil, no Estado da Bahia, em 1882, conforme pesquisa no Google…

… mas vamos ficando por aqui! Isso é coisa pra discutir num suplemento agrícola.

Até quarta-feira e ficamos assim, com um abraço polaco para Ulysses.

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