Exportar é a solução

Entre japoneses e brasileiros, existem muito mais coisas em comum do que imaginamos. Japonês, por exemplo, quando vai passar seus regulamentares 15 dias de férias na Europa, não faz outra coisa a não ser fotografar. Minuto a minuto, tudo vai para o álbum de família.

Quando retorna para a terra do penta, digo, para a terra do sol nascente, o companheiro de trabalho na Toyota pergunta:

– Toshio, gostou das férias na Europa?

– Não, sei! Toshio ainda não terminou de revelar fotografias…

Brasileiro também tem essa mania, mas de forma diferente:

– Anésio, pra quem você vai votar pra presidente?

– Não sei! Ainda não vi a última pesquisa eleitoral!

Com os debates entre candidatos acontece o mesmo: o eleitor-espectador demora além de dois dias para eleger o vencedor. Ainda assim, precisa ler duas edições do jornal para assimilar a estranha linguagem dos candidatos.

Ciro Gomes, neste último debate, assim explicou a questão de como combater o desemprego:

– É preciso consertar a equação estratégica. É preciso fazer a refundação estratégica das bases da previdência com gradualidade.

Deu pra entender o idioma do cearense? Isso é coisa pra eleitor desempregado levar de dois a três dias meditando sobre o palpitante assunto.

Um outro tema debatido foi a questão das exportações. Do Lula ao Garotinho, uma unanimidade: a panacéia para todos os males é exportar mais e mais e mais. Assim, eles garantem que a partir de janeiro o Brasil vai exportar até navios para a marinha paraguaia.

Isso é fácil para o eleitor entender: a gente deixa de gastar dólares em Miami e exporta para gastar os dólares nas praias do Ceará. Apenasmente, como se diz em Fortaleza, o que não dá pra entender, é como conseguir exportar tanto, sem combinar antes com os importadores no exterior.

Talvez a estratégia da equipe exportadora dos candidatos seja a seguinte:

– Mister McCormack, tomamos posse ontem e já estamos enviando um navio carregado de jabuticabas. Como o senhor sabe, o Brasil é o único produtor mundial de jabuticabas e estamos entregando o produto a 100 dólares a dúzia. É pegar ou largar!

Mais, o próximo governo eleito vai fazer uma grande exportação de meninos do Brasil para o mercado mundial de futuros hexacampeões mundiais de futebol. Não é nada, não é nada, mas quanto deve estar valendo uma tonelada de ronaldinhos na Inglaterra?

Não só os meninos, outro importante item de exportação que pode ser a salvação da lavoura é a exportação da população adulta do povo brasileiro. A gentarada de Governador Valadares, por exemplo, podia perfeitamente ser exportado em massa para Chicago. Atualmente, esses mineiros são exportados em quantidades mínimas. E, mesmo assim, uma metade se perde nos desertos da fronteira com o México.

Claro, nem todo o povo brasileiro precisa ser exportado. É bom restar alguns para semente. Uns poucos, principalmente para apagar a luz do aeroporto.

Como deu pra entender, os presidenciáveis estão cobertos de razão: exportar é a solução. Exportar inclusive os próprios candidatos. Gente, só o Garotinho deve valer uma fortuna incalculável para as universidades americanas. Indiscutivelmente, ele é o mais culto dos quatro que se apresentaram no debate.

Mais culto, impossível: pela manhã, vai ao culto das seis. À tarde, tem o culto das duas. À noite, tem o culto que começa às sete e termina só Deus sabe quando.

Até sexta-feira, se Deus quiser.

Grupos de WhatsApp da Tribuna
Receba Notícias no seu WhatsApp!
Receba as notícias do seu bairro e do seu time pelo WhatsApp.
Participe dos Grupos da Tribuna