O jornalista Sebastião Nery tem um decálogo que sintetiza o estilo de um político mineiro. São os "Os dez mandamentos do político mineiro":
1 – Mineiro só é solidário no câncer. / 2 – O importante não é o fato, é a versão. / 3 – Aos inimigos, quando estão no poder, não se pede nada. Nem demissão. / 4 – Para os amigos, tudo. Para os inimigos, a lei. / 5 – Respeitar, sobretudo, o padre que consegue votos; o juiz, que proclama o eleito; e o soldado, que garante a posse. / 6 – Nas horas difíceis, cabe ao líder comandar: "Preparemo-nos e vão". / 7 – Voto comprado não é atraso, é progresso. Se o voto é comprado, é porque tem valor. / 8 – Em briga de político, geralmente perdem os dois. / 9 – Mais vale quem o governo ajuda do que quem cedo madruga. / 10 – É conversando que a gente se entende.
Dizem que a primeira história do folclore político mineiro surgiu bem antes de Juscelino, quando um deputado foi visitar a China e voltou dizendo que a população estava entre 500 milhões e um bilhão. Mas quer saber a gênese de um político mineiro? Está na alma do capiau mineirinho, como conta esta história de um empresário que viajava pelo interior de Minas e, ao ver um peão tocando as vacas, parou para lhe fazer algumas perguntas:
– O compadre poderia me passar umas informações?
– Claro, uai!
– As vacas dão muito leite?
– Qual que o senhor quer saber: as maiáda ou as marrom?
– Pode ser as malhadas.
– Dá uns 12 litro por dia!
– E as marrons?
– Também uns 12 litro por dia!
O empresário pensou um pouco e logo tornou a perguntar:
– Elas comem o quê?
– Qual? As maiáda ou as marrom?
– Sei lá, pode ser as marrons!
– As marrom come pasto e sal.
– Hum! E as malhadas?
– Também come pasto e sal!
O empresário, sem conseguir esconder a irritação:
– Escuta aqui, meu amigo! Por que toda vez que eu te pergunto alguma coisa sobre as vacas você me diz se quero saber das malhadas ou das marrons, sendo que é tudo a mesma resposta?
E o matuto responde:
– É que as maiáda são minha!
– E as marrons?
– Também!
BORJALO VIVE – O cartunista Borjalo se foi, mas bem que podia voltar à nossa memória em Foz do Iguaçu, numa das maiores festas do cartunismo mundial, que acontece entre 25 e 28 de novembro. O tempo é curto para organizar uma homenagem do jeito que o cartunista merece, mas não importa o tamanho. Importa a sincera homenagem, porque grande já está sendo este Festhumor das Cataratas. "Planeta Turismo" é o tema deste ano e os organizadores esperam, além de mais trabalhos, aumentar também a participação em número de países. Até o dia 15, data limite para a inscrição, representantes de 82 nações haviam enviado seus desenhos através das páginas eletrônicas do Festival, que são divididas por continentes.
O júri de seleção trabalha desde a data em que foram abertas as inscrições. Os critérios de escolha obedecem rigorosamente o regulamento. Trabalhos que não condizem com as regras e formatos, já são eliminados no ato da apresentação. Encerrado o prazo para o recebimento, uma banca de seis jurados classificará os 300 melhores cartuns, e a partir do dia 25, sete jurados decidirão pelos cinco primeiros colocados "em exposição". O critério de escolha é inovador: Serão escolhidas onze pessoas altamente habilitadas para o julgamento, porém, em segredo e através de sorteio, valerão as notas de apenas sete dos jurados. Um programa foi elaborado para a computação dos votos. O resultado será anunciado no ato da cerimônia de premiação, que acontece na noite de 27 de novembro, sábado.
Até quarta-feira, Rogério Bonatto: em Foz do Iguaçu, Borjalo vive!