Era uma vez no sudoeste (Parte 1)

Pena que o diretor de cinema Sergio Leone não tenha sido oriundo de uma daquelas famílias italianas que desbravaram o Paraná. Se assim fosse, o diretor de Era uma vez no oeste teria filmado o bang-bang Era uma vez no sudoeste. A sinopse está no recém-lançado livro Porcadeiros, de Arnoldo Monteiro Bach.

Por se tratar de uma superprodução contando a saga da colonização do Paraná, Era uma vez no sudoeste teria duas partes, com trilha sonora de Waltel Branco, o nosso maestro que no próximo domingo comemora 80 anos no auditório da Biblioteca Pública do Paraná. Sorte de Waltel, porque se o maestro Ennio Morricone também tivesse nascido no sudoeste, Sergio Leone ficaria com o parceiro de sempre.

O filme começaria em 1922, com o carroção de erva-mate subindo a Serra da Esperança, levando ao sertão a numerosa família Pinto de Camargo. Na chegada ao sudoeste, descarregadas as tralhas, a família dividiu-se em duas: Pinto Brabo e Pinto de Camargo. Segundo Arnoldo Monteiro Bach, os Pinto Brabo passaram assim a ser chamados porque eram truculentos, envolviam-se em brigas, assassinatos e todo tipo de violência. Os Pinto Brabo eram do mal. Os Pinto de Camargo eram do bem.

Por ironia de cartório, o mais famoso facínora dos Pinto Brabo chamava-se Pacífico Pinto. Temido, não deixava em paz nem os parentes. Nas redondezas de Pato Branco e Clevelândia era também chamado de “fabricante de viúvas”.

Cenas de Sergio Leone: contratados por Pacífico Pinto para uma empreitada, Juvenal e seus camaradas instalaram-se no meio da mata e começaram a derrubada de 12 alqueires. Com o passar dos dias, perceberam que estavam sendo vigiados por um tal de Juca Barbudo. Os pistoleiros de Pacífico Pinto, a pretexto de proteger os colonos das onças, não permitiam que os trabalhadores fossem embora antes da queimada e plantio da roça.

No prazo combinado, os caboclos terminaram o serviço e comunicaram a Juca Barbudo, que, para festejar o fim da empreitada, mandou preparar uma fogueira de lenha bem forte para assar uma manta de charque gordo.

Aquela brava gente se fartou, os parceiros começaram a fazer planos com o dinheiro que tinham para receber, conta Arnaldo Monteiro Bach: “Quando terminaram a refeição, os caboclos foram convidados a acompanhar Juca Barbudo.  A certa altura da picada, havia uma profunda cova natural, disfarçada pela vegetação rasteira. Então, os capangas de Pacífico imobilizaram Juvenal e os companheiros:

– O que está acontecendo?

Sem responderem, enfiaram-lhes os dedos nas narinas, puxando-lhes a cabeça para trás, degolando-os feito bichos e jogando-os na cova.

Assim prosperou Pacífico Pinto.

Batida a claquete, Sergio Leone faria a reconstituição da Revolução de 24, quando as forças de Luiz Carlos Prestes fizeram uma parada na Colônia Bom Retiro (hoje Pato Branco), com destino a Clevelândia e Palmas.

Pacífico Pinto ficou contrariado: “Em Bom Retiro esses baderneiros não ficam. E quem não gostar que venha falar comigo!”

A notícia chegou até João Alberto Fidêncio de Melo, um dos líderes revolucionários, que pediu mais informações sobre o valente: “Dono de muitas terras, aqui ninguém gosta dele. Tem muita gente desaparecida que ele mandou matar”.

– Pois me tragam esse homem!

Pacífico tomou conhecimento e, juntamente com seus capangas, depois de serem perseguidos, embrenharam-se na mata e desapareceram. Pacífico Pinto teve então sua casa e propriedades queimadas.

Derrotada, a Coluna Prestes retirou-se para Foz do Iguaçu. E veio a revanche do “fabricante de viúvas”: mandou prender todos os desafetos, determinando que em seguida fossem levados para Clevelândia, mas a ordem secreta de Pacífico Pinto era outra.

– Quando chegarem ao Rio Pato Branco matem todos e joguem nos poços do rio com pesadas pedras para que ninguém mais tenha notícias deles!

***

Assista amanhã ao final do filme de Sergio Leone, com roteiro de Arnoldo Monteiro Bach.

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