Entre ostras coisas

Nos dois primeiros dias desta semana, Angelo Vanhoni ancorou na cama. Depois de umas e ostras, ficou dodói, vítima de um desarranjo intestinal que prejudicou também alguns familiares, por conta de uma farta degustação de ostras, a iguaria do mar que seduz desde os grandes chefes até os cozinheiros de primeira viagem. Uma delícia, por que não haveria de seduzir um candidato em plena campanha eleitoral?

Vanhoni não é nenhuma maria-vai-com-as-ostras. Nascido em Paranaguá, o petista sabe que estamos na estação mais favorável para as ostras, que se inicia em final de abril e vai até dezembro, quando a temperatura do mar encontra-se mais baixa. Durante esse período, elas possuem sabor mais adocicado e um corte em sua carne é como em uma peça de picanha macia e firme. De dezembro em diante, elas saem do regime e engordam. Mesmo assim, quem é do mar não enjoa.

Os correligionários, portanto, que perdoem o candidato pela ausência, que, de certa forma, não foi involuntária. O prazer envolve certos riscos. A carne é fraca e a ostra deve ser consumida fresca. Quem tem juízo, compra direto do cultivo e dos pescadores. O maior segredo da degustação do molusco bivalve é a sua procedência, colhido para o consumo momentos antes do ágape, como bem sabe o também candidato Beto Richa, freguês de uma fazenda de mariscos e ostras na vizinhança de sua casa de veraneio, em Porto Belo. Muitos dizem que a ostra dura até três dias na sombra, no piso fresco da garagem ou na geladeira, por um dia, em um balde com água salgada. São lendas dos mares. Não seja uma maria-vai-com-as-ostras. Segundo especialistas, as ostras que estão na geladeira ainda estão boas para consumo quando estiverem com as conchas bem fechadas: é sinal de que estão vivas. Mas, olho vivo: é possível que as mesmas se abram para relaxar o músculo. Nesse caso, para saber se isso está acontecendo, pressione suavemente uma valva (concha) contra outra; se fechar é porque ainda estão vivas. Como a temperatura está baixa, a ostra responde lentamente.

Pai de todos os manezinhos da Ilha de Floripa, recentemente falecido, o jornalista Aldírio Simões alertava para esse pecado da gula: “Os praieiros costumam comer ostras e mariscos, antecipando uma boa dose de cachaça, justificam que é para matar o bicho, mas isso é apenas desculpa, é que um gole antes estimula o apetite.

Mas nem todo mundo se locupleta: os portadores de gota, por exemplo, sofrem ao consumi-los, devido ao excesso de ácido úrico no sangue. O sofrimento vem no dia seguinte e nem as excessivas ingestões de Ziloric reprimem a dor insuportável, deixando o incauto comilão no estaleiro durante vários dias”.

Outra característica da ostra é o seu famoso poder afrodisíaco. Restaurantes especializados do mundo inteiro vendem a sua imagem como uma dádiva aos amantes, pelo apetite sexual que proporciona. Ainda citando o mestre manezinho Aldírio Simões, “a fórmula de maior sucesso é uma garrafada batizada como “freio de mão?, composta com ostra, vinho tinto, pitadas de viagra e “mestrunço?. Dos que provaram do bálsamo energético, todos falam maravilhas da inusitada infusão. Quem bebeu e foi para um bailão, nunca mais retornou”.

O litoral de Santa Catarina é o maior produtor de ostras do Brasil; e as mais saborosas são cultivadas na Ponta do Papagaio, ao sul de Florianópolis. Mais que um bom negócio, é agora uma paixão: um conhecido empresário de comunicação catarinense emprestou o equivalente a US$ 25 mil para um amigo descapitalizado iniciar-se no negócio de criação e comércio de ostras na região de Florianópolis. O negócio deu mais que certo e já está com um faturamento de R$ 1 milhão por ano. O pagamento é inusitado: toda vez que o empresário precisa de ostras, liga para o amigo. Até o momento, o “empréstimo” já rendeu 2,4 mil moluscos.

Servida com espumantes, champanhes e vinhos, degustadores advertem: saboreie com os devidos cuidados, com muito gosto e sem moderação.

Até domingo, de Santa Catarina, onde estarei almoçando polenta com galinha, com a mamma. Arrivederci.

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