O que nos intriga nesta frenética visita de Hugo Chávez a Curitiba não foi a deselegância do MST com o dono da casa, o governador Roberto Requião. É sabido que os mancebos da Via Campesina não costumam limpar os pés e nem mesmo pedem licença para entrar na sala de visitas de quem quer que seja.
O que nos causa surpresa é saber que o presidente Hugo Chávez foi recebido para almoço no Palácio Iguaçu e não respeitou uma vírgula do manual das boas maneiras. Além de trazer sua própria comida da Venezuela, o preparo foi supervisionado pelo chefe de cozinha do governo venezuelano, uma médica e uma nutricionista integrantes da comitiva presidencial.
Compreende-se que o presidente tenha chegado com uma hora de atraso para o café da manhã, também em palácio – pois o frio curitibano da última quinta-feira convidava para um recreio sob o edredon. Compreende-se inclusive que do ritual de um chefe de Estado faça parte o bom tempero, nunca se expondo aos destemperos de um cardápio mais atrevido. Sem ironia, não estamos sugerindo que Hugo Chávez seja um destemperado.
Chávez, por deselegante, não teve nem mesmo curiosidade de conhecer a cozinha do dono da casa. Em contrapartida, desconhecíamos os sabores e temperos da Venezuela. E isto também nos intrigou.
Fomos pesquisar os mistérios da indispensável gastronomia bolivariana e descobrimos que fast food é o que os venezuelanos entendem por areperas, que fazem as conhecidas arepas, uma espécie de beirute feito com tortillas de milho e recheadas de queijos, carnes, saladas ou outros.
O almoço para o comandante nem de longe lembrou um fast food. Chávez teria engulhos. UGGHH, chamaria o "hugo".
Quem sabe o cozinheiro presidencial não tenha preparado no Palácio Iguaçu o pabellón criollo, um prato típico venezuelano e de rápido consumo. Uma espécie de PF (prato feito), o pabellón é feito de arroz, feijão preto, carne e banana, mas como geralmente é preparado em grandes quantidades no começo do dia, seria bom avisar aos que se servem das sobras palacianas que seu consumo depois das 15 horas não é aconselhável
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No almoço para 60 convidados, o presidente e governador sentaram-se frente a frente, alguns mais graduados ocuparam a mesa principal, para 12 pessoas, enquanto os demais se acomodaram nas seis mesas em volta.
Precedido de seu próprio "degustador de segurança", presume-se que foi servido ao "comandante" a iguaria bolivariana chamada asado negro.
Se permitem, eis a receita: 1 muchacho (corte especial de carne) redondo de 3 quislos / 30 g papelón / 1 litro vino blanco.
Aliños (condimentos) ? 1 cabeza ajos machacada / 2 pimentones verdes / 2 pimentones rojos / 8 ajíes dulces / 5 cebollas / 1 ajoporro / 1 cebollín / 1 hoja de Laurel / 1 cucharadita comino / 5 cucharadas aceite vegetal / 6 cucharadas salsa inglesa / 2 zanahorias.
Preparación ? Sazonar la carne con el ajo, la salsa inglesa, el comino, agregar el resto de los ingredientes cortados. Ponga en la nevera por 12 horas. En una olla profunda o caldero, vierta el aceite con el papelón para que se derrita. Coloque la carne en el caldero para dorarla sin que se queme. Al estar todo dorado se saca y se sofríe el resto de los ingredientes, ponga de nuevo el muchacho en el caldero y agregue el vino y cubralo con agua. Déjelo cocinar a fuego lento por 4 horas. Sírvalo con arroz y plátano frito.
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Sem demérito ao chefe do cerimonial do Palácio Iguaçu, Jacyr Bergman II, quem salvou o tempero do almoço foi a primeira-dama Maristela Requião. Ainda em tempo, retirou do cardápio l´acqua nera del capitalismo e ordenou que servissem o tropicalíssimo guaraná. Se a coca-cola tivesse vindo à mesa, o destempero seria sentido até na sobremesa.
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No más, Solda disse tudo na charge de sexta-feira: "Pronto amigo, Chávez já foi embora. Pode chamar o hugo. UGGHH….!!!?