Bom dia!; muito mais que um bom dia, é hoje o dia de você ganhar na loteria, embolsar os 37 milhões de reais da Mega-Sena acumulada. E você há de ganhar, por que não? Como também hei de ganhar, se o mesmo você me desejar.
Trinta e sete milhões de reais não é nada, não é nada, são mais de 10 milhões de dólares, uma conta bancária robusta o suficiente para realizar os sonhos de muitos. Não os sonhos de qualquer um, pois muitos têm sonhos de muito mais dígitos. O presidente Lula, por exemplo, sonha com um sonho alado de três dígitos. Mais exatamente R$ 176.947.605, ou US$ 56.713.976, que é o preço do “Air Force One”, o substituto do “Sucatão”, sofisticado novo avião presidencial, comparável à aeronave usada por Bush. A nova jóia da coroa brasileira será entregue agora em dezembro e, quando aterrissar em Brasília se tornará também atração turística da capital federal: o colosso terá capacidade para 40 passageiros e doze tripulantes. Serão quatro cabines: de pilotagem, de tripulantes, presidencial e de passageiros.
Na cabine de Lula, isolada dos demais passageiros, haverá duas seções. Uma para sala de reuniões e refeições, com um bar (epa!) e a outra será a suíte presidencial, apenas ela um sonho da Mega-Sena: um sofá-cama de casal, uma mesa de refeição, poltronas reclináveis, armário para acomodar bagagem de duas pessoas, banheira com ducha, pia, vaso sanitário, frigobar, uma TV de tela plana de 42 polegadas, sistema DVD e caixas de som.
Tudo muito chique, muito bonito, muito bom, mas essa gente maldosa já apelidou o avião de Air Force 51. Maldades à parte, o novo gabinete presidencial voador está sendo concebido dentro do governo como uma aeronave militar, pronta para receber o presidente da República em casos de instabilidade ou até mesmo ameaça de conflito armado. Isso significa que podemos imaginar coisas tipo assim: Leonel Brizola seqüestrar o Rio Grande do Sul e pedir o Rio de Janeiro em troca. Ou então, um conflito entre o Brasil e o Uruguai.
Incidente que nunca vai acontecer, é evidente, graças ao temperamento cordial dos brasileiros e a sempre amável e gentil gente do Uruguai.
No máximo, o que pode ocorrer de pior entre o Brasil e o Uruguai é algum mau jeito, algum despropósito, como aconteceu com este colunista na semana passada, infelicidade que mereceu justas críticas da colônia uruguaia do Paraná, e uma formal nota de protesto assinada pelo Consulado do Uruguai em Curitiba.
A NOTA DE PROTESTO
Prezado Senhor
Sexta-feira, 28 de maio, li seu artigo no jornal O Estado do Paraná, cujo título é “Em Tempo – O oferecido não foi”.
Não obstante, o Senhor esteja muito ressentido – é a impressão que eu tive após ler a desrespeitosa matéria -, acho que não tem cabimento evocar o tão lamentável episódio da Cordilheira dos Andes. Foi aí que perderam a vida em forma trágica vários jovens uruguaios que o Senhor assinala com uma expressão degradante e difamante. É uma humilhação, uma afronta, perante o povo uruguaio, falar em “antropofágico banquete”.
O Senhor deveria ter mais cuidado com sua linguagem, antes de empregar expressões inadequadas que são conseqüência ou resultado de sua frustração “por não ter sido convidado” para integrar a comitiva oficial do Governador.
Cordialmente,
Martha Andrea Silva Bauza, conselheira.
Senhora Conselheira, com sinceras desculpas pelo mau jeito, se é que mereço, concordo ter feito uso de uma expressão deselegante e infeliz, mas de modo algum pretendi desmerecer, difamar, ou fazer uma alguma afronta ao amável povo do Uruguai. Digamos que tropecei no vernáculo e caí com a cara no chão.
Outrossim, concordo ter sido justamente excluído da comitiva oficial do governador Roberto Requião. Merecendo, portanto, não ser convidado para qualquer outra viagem, restando doravante de castigo.
Cordialmente; e novamente lamento o incidente, digno de um repórter iniciante do The New York Times.