É batata!

Não se fala outra coisa no Paraguai: o Rolex que o deputado Batatinha deu de presente para o ministro José Dirceu. Em Ciudad del Este, o clima é de preocupação, pois temem que o deputado possa comprometer a boa reputação do comércio local, declarando a compra do mimo na outra banda de Foz de Iguaçu.

Tudo começou no início do ano, quando a troca de comando na tribo faz com que a indiarada se desdobre em oferendas aos novos curandeiros e caciques. Generoso, o deputado Batatinha não se contentou em enviar uma caixa de Sonho de Valsa para adoçar a boca dos novos donos do poder. Enviou de presente para o poderoso ministro José Dirceu um valiozo Rolex. No caso, muito justamente valiozo com Z.

No dia seguinte, o Zé Dirceu acordou se lembrando de um sonho que teria tido naquela noite. No sonho, um duende teria alertado o ministro que, pelo Código de Ética do governo federal, as autoridades estão proibidas de receber presentes com valores superiores a 100 reais. Isto é, funcionários públicos não podem receber nem mesmo um uísque 12 anos. Foi a sorte do Zé Dirceu. Se o presente do Batatinha fosse um Black Label, a cabeça pensante do Lula teria tido uma cefaléia quase tão grande quanto a que lhe causou o Rolex.

Para se livrar do presente de grego o Batatinha só sabe quebrar a louça -, o ministro da Casa Civil apelou pra casa da mãe Joana. Ou seja, doou o mimo ao programa Fome Zero.

De janeiro a agosto, por oito meses o Rolex ficou esquecido num freezer do Fome Zero, não sendo trocado nem por uma caixa de bananas. O que seria um bom negócio, pois agora no meio da semana o ministro Zé Dirceu foi informado que o Rolex do Batatinha não vale uma banana. Vá lá, vale meia dúzia de bananas. O deputado Batatinha, por sua vez, quando soube que tinha presenteado gato por lebre, justificou-se ao ministro jurando que tinha feito um negócio da China, comprando o relógio de um amigo, por 5 mil, quando vale 10 mil. Quer dizer, os gatos eram do mesmo saco, mas miavam feito lebres.

Na quinta-feira passada, pra tentar se curar dos arranhões, Batatinha foi a uma joalheria de Curitiba, sacou do cheque e comprou um outro Rolex por 12 mil reais. Com nota fiscal e certificado de garantia. Quanto ao cheque… bem, deixa pra lá que esse não é um problema nosso.

O problema é do Zé Dirceu, pois o Rolex dessa vez não deve voltar, vai fazer o caminho anterior: vai pra Casa Civil, da Casa Civil para a Secretaria Geral da Presidência, da Secretaria Geral para o Protocolo Geral, do Protocolo Geral para a Corregedoria Geral, da Corregedoria Geral para avaliação da Caixa Econômica Federal e da CEF para o freezer do Fome Zero, apesar de o relógio desta vez não ser frio. Isto equivale a dizer que o Rolex com nota fiscal do Batatinha corre o risco de ser trocado por toneladas de bananas lá pelo ano 2006, vésperas da reeleição.

Quanto ao deputado Batatinha, ele considera o assunto encerrado. Talvez, quem sabe. A dúvida que nos resta, isto se o deputado acertou os ponteiros com o Zé Dirceu, é saber quem foi o muy amigo que lhe vendeu o Rolex frio. Pois, como se sabe, amigo não é pra essas coisas. E vai que esse muy amigo do Batatinha não seja apenas um fornecedor de Rolex, como também de uísque 12 anos, CDs dos Tribalistas e vales-transportes da Urbs?

Nos cabe agora exigir que o deputado puna este seu muy amigo. Uma punição exemplar, como, por exemplo, condená-lo a apresentar um programa vespertino na CNT. Nada mais, nada menos.

Até quarta-feira, me desculpando: hoje era pra falar de soja, acabei falando de batatinha.

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