Discípulos do Coisa Ruim

Não é de hoje que em cada esquina se abre uma nova igreja onde o tempo é dinheiro. Conta um velho manuscrito beneditino que até o Demônio já abriu sua própria igreja, Conforme relatos do escritor Machado de Assis, cansado de viver das migalhas divinas o Diabo chegou à conclusão que o meio mais eficaz de combater as outras religiões, e destruí-las de vez, seria usar escritura contra escritura, breviário contra breviário, com suas próprias missas, com pão e vinho à farta.

Assim decidido, o Satanás bateu asas com tal estrondo que abalou todas as províncias do abismo. Ao cair na terra, imediatamente vestiu uma batina de beneditino e começou a espalhar uma doutrina nova e extraordinária, com uma voz que reboou nas entranhas do século. Ele prometia aos seus discípulos e fiéis as delícias da terra, todas as glórias, os deleites mais íntimos. Confessava que era o Diabo, mas confessava para retificar a noção que os homens tinham dele e desmentir as histórias que a seu respeito contam as velhas beatas.

Com sua boa nova aos homens de má vontade, o Diabo reuniu com seu espírito de negação muitos discípulos dispostos a reabilitar a soberba, a luxúria e a preguiça. A avareza foi declarada como a mãe da economia, a ira a melhor defesa e a gula o caminho para a imortalidade. Quanto à inveja, o Diabo tornou-a virtude principal, que chegava a suprir todas as outras e o próprio talento.

Com tais doutrinas, a igreja do Coisa Ruim é um sucesso até hoje. Turbas correm atrás de Belzebu e diariamente criaturas insuspeitas se revelam discípulas do Tinhoso. É o caso deste Cléber Salazar, que com as credenciais do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) comandava o esquema de fraudes nos postos de combustíveis.

Quando Deus permitiu que o Demônio fundasse sua própria igreja, fazendo da opinião uma mercadoria de troca e a venalidade um direito superior a todos os direitos, uma cláusula entre o bem e o mal teria que ser respeitada: para cada dez maldades praticadas, pelo menos uma bondade seria devolvida aos filhos de Deus.

Nesse ano que mal começou, consta que a igreja do malfeitores teria convertido mais um dos fiéis de Dilma Roussef. Segundo se informa, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho (PSB), teria usado recursos públicos para comprar o mesmo terreno duas vezes, quando era prefeito de Petrolina, em Pernambuco.

Contando com o crime da gasolina, noves fora os malfeitos do Bezerra, que Deus nos reserve pelo menos uma boa notícia para os próximos dias.

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