Desgraça pouca é bobagem

O mar de lama que vai restar da inundação provocada pelo furacão Katrina nos Estados Unidos pode servir de exemplo para o PT. Assim como a população de Nova Orleans está sendo removida da cidade, o mar de lama petista é tão grande que o partido precisa evacuar o prédio do diretório nacional e botar seus dirigentes em quarentena.

A calamidade financeira do PT é de categoria 5 e não há recursos financeiros contabilizados para cobrir os prejuízos do lamaçal. Estima-se em mais de 100 milhões a dívida petista desabrigada, e o partido só tem uma solução a curto prazo: seguir o exemplo de um fazendeiro gaúcho que afirmava o que o PT vem afirmando hoje: devo, não nego, e pago quando puder. A pérola literária abaixo não se trata de um causo, é um fato verídico. Foi obtida junto às correspondências históricas da cidade de Tupanciretã, no Rio Grande do Sul.

Santana do Livramento,

10 de abril de 1978.

Senhor Gerente do Banco Sulbrasileiro S/A nesta cidade

Prezado Senhor:

Acabo de receber uma carta sua, em relação à conta que lhes devo, na qual me dizem que estranham que a mesma não tenha sido paga em seu devido tempo. Também anunciam que, se não for paga dentro de um prazo prudencial, poderiam causar-me sérias dificuldades.

Em contestação, lhes direi o seguinte: no ano de 1927, eu comprei a crédito uma serraria. Em 1928, adquiri a prazo uma junta de bois com carreta, uma escopeta e um litreiro para vinhos. Também um revólver Colt, tudo pelo maldito plano de pagamento a prazo. Em 1929, a serraria pegou fogo e não ficou uma maldita viga em pé. Um dos bois morreu e o outro emprestei para um filho de uma rameira, que o deixou morrer de fome. Em 1930, meu pai morreu e meu irmão foi enforcado por um ladrão de cavalos. Um ferroviário violou minha filha e tive que pagar 85 mangos para evitar que o bastardo fizesse parte de minha família.

Em 1932, um dos meus filhos pegou caxumba que recolheu para os testículos e o médico teve que capá-lo para salvar-lhe a vida. Passados uns meses, saí para uma pescaria, virou o caiaque, e perdi o dourado mais lindo e mais grande que eu já tinha visto em minha vida. Além de afogarem-se dois dos meus filhos e nenhum dos quais era o capado. Em 1935, minha mulher fugiu com um moreno gordo que costumava rondar os arredores de minha casa e, antes de se irem, deixaram um par de guampas de recuerdo. Nessa situação, me casei com a empregada para reduzir os custos. Como foi muito difícil levá-la para a cama, consultei um especialista que me indicou que ela necessitava de emoções violentas. Porém, quando chegou o momento propício, tomei a escopeta e disparei um tiro pela janela. Minha mulher, que estava excitada na cama, borrou-se toda, sujando a única colcha que nós tínhamos. Assim, adquiri uma hérnia com o coice da arma e, ao mesmo tempo, com o disparo, matei a melhor vaca que tinha e que era a única que me dava leite.

Em 1947, me larguei na bebida. Não parei até que somente me restasse um relógio no bolso e uma enorme dor nos rins. Por algum tempo, a única coisa que eu fazia era dar corda no relógio, olhar a hora e correr para urinar. No ano seguinte, decidi tentar novamente a sorte. Para tanto, adquiri um trator, uma enfardadeira e uma colheitadeira, também pelo maldito plano de pagamento a prazo. Então, veio um ciclone que levou tudo para o quinto dos infernos.

A minha mulher pegou uma tremenda gripe, meu filho limpou as partes com uma espiga de milho que eu havia preparado com veneno para os ratos e um filho de uma égua castrou o melhor touro que eu possuía. Neste momento, estou mais enrolado que lingüiça de venda, nervoso como potro com mosca no ouvido.

E é assim que recebo a ameaça dos senhores, dizendo que podem me causar sérias dificuldades. Olhem senhores, querer cobrar-me agora, seria igual que tentar introduzir um quarto de quilo de manteiga no respectivo de um javali furioso, com cravador quente de sapateiro. Assim sendo, de qualquer maneira, podem tentar, se os senhores quiserem.

Atenciosamente,

Juvêncio Dinarte.

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