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Souza Miranda com a filha Soraya de três anos recepciona o cantor Ronie Von, na rádio Santa Catarina, de Florianópolis, em 1968.

Alguém já disse – por pura provocação – que o nosso litoral sofre do mal da baixa auto-estima. Porto que escoa a nossa lavoura para o mundo e berço da história do Paraná, Paranaguá e Morretes deixam de mostrar o seu valor quando não lembram de homenagear dois de seus mais ilustres filhos.

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Osvaldo de Sousa Miranda e Osvaldo Walter Machado Miranda. Pai e filho. Para quem esses nomes possam parecer estranhos, as devidas apresentações: Souza Miranda é um dos mais importantes nomes do rádio do Brasil; Osvaldo Miranda é simplesmente Miran, um dos mais importantes nomes das artes gráficas do mundo.

O pai, aos 16 anos, começou sua carreira de radialista em Paranaguá, no microfone da Rádio Difusora. Menino de voz forte e bem modulada, subiu a Serra do Mar para se tornar um dos mais festejados locutores da época áurea do rádio, atuando como noticiarista e apresentador de programas. Criou um dos programas mais famosos daqueles tempos, Rosa de Tango, onde declamava poesias de J. G. de Araújo Jorge. Correto, firme na locução – recorda o ex-companheiro de rádio Jamur Júnior -, era considerado um dos mais perfeitos locutores do Brasil.

De Paranaguá, muito além de Curitiba, a voz de Souza Miranda ecoou longe. Depois de longo tempo atuando nas emissoras mais importantes do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo, escolheu Florianópolis para viver sua paixão pelo rádio; e na Radio Diário da Manhã destacou-se como um dos melhores locutores que passaram pelo microfone famoso da Ilha da Magia. Atualmente produz e apresenta, na Rádio Difusora AM 1060 de Florianópolis, o programa Tarde Legal, de segunda a sexta-feira, das 13h00 às 15h00. ?Velhinho transviado? – para usar uma expressão do tempo da Revista do Rádio e das Fofocas da Candinha -, a popularidade de Souza Miranda ainda é tanta que um grupo de fãs realiza encontro entre ouvintes, pelo menos uma vez por mês.

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Souza Miranda nasceu em Morretes, no dia 22 de julho de 1928. Neste ano, portanto, vai completar 79 anos de idade e 63 de microfone. É um dos locutores recordistas em tempo de atuação ininterrupta no rádio brasileiro.

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Exímio contador de história, Jamur Júnior está lançando um livro sobre o rádio e seus personagens. Souza Miranda merece capítulo especial. Jamur conta que certa noite os ouvintes da rádio Diário da Manhã foram surpreendidos pelo perfeito locutor, quando transmitia da boate Plaza, ao vivo, um programa intitulado Ritmos do Plaza. A função de Souza Miranda, nessa transmissão, era apenas identificar a emissora, o prefixo e ler o texto comercial do patrocinador, Café Amélia, que tinha um slogan muito conhecido; ?Café Amélia: TORRADO, MOÍDO E EMPACOTADO NO MESMO DIA?.

Numa noite memorável de um verão com altas temperaturas, Miranda e alguns colegas exageraram na cerveja gelada, logo no inÍcio da transmissão. Quando chegou a hora de dar o prefixo da emissora e ler o texto do Café Amélia, aconteceu o desastre. Com sua bela voz, Miranda disse em alto e bom som:

– Este é a Diário da Manhã, transmitindo Ritmos do Plaza, patrocínio do Café Amélia; TORRIDO, MOADO E EMPACOTIDO NO MESMO DIA.

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De Paranaguá para o mundo. Sobre o filho de Souza Miranda não é preciso dizer muito. Basta contar que Miran – quem abreviou o sobrenome do criador da revista Gráfica foi Ziraldo -, é um profissional temporariamente indisponível: a Editora Belvedere di Milano acaba de firmar sua contratação para finalizar um álbum de 360 páginas sobre o artista e designer cubano Eduardo Muñoz Bachs. E, como se fosse pouco, o menino de Paranaguá foi vencedor da concorrência fechada, entre doze designers escolhidos em todo o mundo, para desenvolver a nova identidade visual do Musée Matisse, em Nice, na França. Sob os auspícios da Prefeitura de Nice e do Conselho Diretor do Musée Matisse, a implantação deve acontecer até fevereiro de 2008.