Com doze aninhos, Aninha é um doce de gente miúda. Ao contrário dos adultos da casa, ela não perde nem um minutinho do horário eleitoral. Quer dizer, só perde alguns preciosos segundos para se abastecer na geladeira. Ou com os doces do armário.
Ontem ela tirou o pai do sério ao fazer uma circunspecta declaração de voto, com um gatinho branco nos braços:
– Não voto no filho do Stephanes, não voto no filho do Passos, não voto no filho do Ratinho, não voto no filho do Fruet e não voto no filho do Richa!
Vou votar no filho do Vanhoni! Ele é uma gracinha!
DESCUBRA QUAL É O SEU
Os bancários passaram um cheque em branco ao Partido dos Trabalhadores, nominal ao companheiro Luiz Inácio Lula da Silva, para ser descontado quando melhor lhe aprouver. Domingo, 3 de outubro, o favorecido irá à boca do caixa. Os bancários emitem sinais de fumaça de que o cheque não terá fundos.
Enquanto isso, um folheto foi recolhido nas imediações de um piquete grevista. De autoria anônima, o impresso explica o motivo da greve e compila os vários salários recebidos pela categoria.
Salário cebola – Você pega, olha e chora.
Salário cafajeste – Não te ajuda em nada, só te faz sofrer, mas você não vive sem ele.
Salário Brasil – Você acha que um dia ele vai melhorar.
Salário futebol – É uma caixinha de surpresas.
Salário camisinha – Tira o tesão.
Salário regime – Com ele, você come menos.
Salário ateu – Você prefere nem acreditar.
Salário surfista – Sóóóó…
Salário menstruação – Vem uma vez por mês e dura menos de uma semana. Isso quando não atrasa para assustar todo mundo.
O CÉU É O LIMITE
Em 21 meses de governo, a coletiva de ontem foi a primeira concedida pelo senhor presidente da República. Com um detalhe: apenas radialistas foram convidados. Jornalistas de outros meios de comunicação, nem pensar, não passaram das escadarias do Palácio. Sem nenhum demérito, mas desconfia-se que todos os homens do presidente não levam muito a sério os nobres colegas do rádio. O conteúdo foi controlado e réplicas não foram toleradas.
Na história, quem tinha o hábito de somente conceder entrevistas para o rádio eram tipos como Stalin, Mussolini, Hitler, Mao e outras figurinhas sinistras. Não vai aqui nenhuma comparação com o nosso democrata presidente. Longe disso.
É que a opção pelo rádio tem uma explicação, desde os tempos do nazista Goebbels, bruxo marqueteiro das ondas do rádio: na imprensa, o jornalista é um atrevido, pergunta demais, escreve o que quer e da maneira como interpretou. Na televisão, o tempo é dinheiro e a edição não permite ao entrevistado dar o seu particular show. Resta-lhe o rádio, onde o entrevistado pode rasgar sedas para si mesmo, jogar e receber confetes, e – o mais importante – exibir seu monumental ego, até onde o céu é o limite.
Para mais informações, consultem o futuro Conselho Federal de Jornalismo.
CONVERSA DE BAR
Deu no Documento Reservado, do jornalista Pedro Ribeiro:
Na fila de autógrafos do livro Botecário, do jornalista Dante Mendonça, o advogado Luiz Fernando Pereira recebe uma ligação telefônica. Do outro lado, o Nego (Carlos Alberto) Pessôa, que perguntava:
– Tem mais gente aí no Dante, do que no lançamento do meu livro?
– Quatro pessoas a menos, respondeu Pereirinha.
A bem da verdade, confirmo a contagem do brilhante matemático e advogado Luiz Fernando Pereira, filho do ilustre ex-governador Mário Pereira. Até o final da noite de autógrafos, o placar não se alterou: nosso querido Nego Pessôa ganhou por quatro a mais, com uma margem de erro de três chopes, para mais ou para menos.
Até domingo; e na torcida dos sem ingresso para a Arena da Baixada, caro Tony Casagrande.