De museu, namorada e balé

Quando o governador Roberto Requião apenas iniciava a composição do secretariado, esta coluna foi quem primeiro sugeriu o que o governador anunciou sábado passado, com exclusividade, para a jornalista Adélia Maria Lopes: Maristela Requião será a nova diretora do Museu Oscar Niemeyer.

Palavra por palavra, assim registramos em dezembro:

– Aliás, quem é o cotado (ou o coitado) para a direção do NovoMuseu? Pra trocar fraldas desse robusto bebê recém-nascido, não sejamos machistas passando a tarefa única e exclusivamente para Vera Mussi. Caso o governador Requião não encontre nenhum macho com habilidade pra tanto – com todo o respeito -, por que não dona Maristela Requião? Ela tem talento, conhece e sabe do que acontece no mundo, não tem uma cabeça provinciana e, principalmente, estará dando expediente a poucos passos do marido e da chave do cofre. Além do mais, onde já se viu uma primeira-dama que não cuida de creches, mas sim de um poderoso museu? No bom sentido, seria um susto. Com um argumento final: uma coisa é fazer, outra é fazer acontecer. Talvez isto seja o mais importante.

Quando anunciou a boa-nova, durante almoço no restaurante Grünwald, em Joinville, o governador salientou à editora de Cultura deste jornal:

– A direção vai para a Maristela, porque eu quero demonstrar a força política que eu pretendo para o museu.

O governador falou e disse tudo. Para fazer acontecer um museu do porte do MON, dona Maristela é nome do jogo, como diz o locutor esportivo. Bem antes de adotar creches e políticas sociais, dona Maristela muito conviveu no meio artístico desde os anos de juventude, não sendo, portanto, uma estranha no ninho. Como diretora do MON, há quem possa argumentar que ela entende tanto de museu quanto o marido entende de balé. Ora, isso é coisa que uma excelente assessoria bem resolve. Assim como Requião, que não entende de balé, mas já teve um respeitado professor, como veremos a seguir.

DUPLA SAIA-JUSTA

Ainda no almoço em Joinville, no restaurante Grünwald (fica na borda direita da BR-101, pouco antes da terra do Juarez Machado), aconteceu uma hilária saia-justa, cujos protagonistas foram exatamente o governador Roberto Requião, Maristela Requião e a jornalista Adélia Maria Lopes. Após destrinchar um poderoso joelho de porco (Eisbein, para os íntimos) e confessar que, mesmo assim, ainda estava administrando as sobras de campanha, ou seja, nove incômodos quilos, Requião, sempre abraçado a Adélia, aproximou-se da esposa e disse em alto e bom som, sendo bem ouvido pelo atento público presente:

– Maristela, quero te apresentar. Esta aqui é a Adélia: foi minha namorada na juventude!

Bem acostumada com esses velhos truques, dona Maristela nem ficou espantada. Mas, para o eleitorado do entorno, a revelação causou o maior frisson e rendeu, nos dias seguintes, incríveis especulações acerca de insuspeitos romances dos loucos ano 70, já que a “vítima” preferiu não desmentir o governador em público.

Para os que já conhecem “o jeito da madeira”, como é o caso de dona Maristela e tantos velhos conhecidos, essa é mais uma das tantas saias-justas criadas por Roberto Requião.

Certa feita, deixou um outro jornalista também numa situação constrangedora. Ao apresentar o então secretário de Comunicação Mussa José Assis, a um grupo de pessoas, um muito formal Requião deixou os visitantes pasmos:

– Senhores, quero lhes apresentar o Mussa, meu professor de balé!

Mussa, um ex-seminarista que não sabe dançar nem vanerão, quase convidou os presentes para assistir a morte de um cisne chamado Roberto, em Palácio.

Até sexta-feira, se o Bush assim permitir.

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