Danuza para presidente

Carente de boas maneiras, quem nunca comeu melado faz lambança. Na falta de ética, o Brasil precisa da etiqueta de Danuza Leão, uma mulher elegante, para presidente.

Na revolução russa, Lenin entrou no palácio e encontrou seus camaradas destruindo e botando ao chão a pompa e os resquícios do regime czarista. Horrorizado com o vandalismo, Vladimir Lenin subiu no trono de Nicolau II e acabou com a baderna, no grito:

– Camaradas! Estamos fazendo uma revolução. Não queremos acabar com a civilização.

Na atual esbórnia da república brasileira, nos falta alguém que suba nos saltos, ajeite a saia e ponha ordem no recinto:

– Tenham modos, meninos!

Não que os nossos marmanjos pretendam acabar com a civilização, mas exposto está que parecem ter perdido a civilidade, a compostura. Em dois recentes episódios, dois motivos para levar Danuza Leão ao palácio, porque estamos precisando de etiquetas, já que os éticos sumiram e a ética foi para o beleléu. Danuza Leão para presidente.

No que cabe à oposição, Danuza teria muito a ensinar ao tucano Arthur Virgílio, ao baiano ACM Neto e à senadora Heloísa Helena. Um trio da pesada, ameaçou dar uma surra no presidente.

– Olha a compostura, gente!

Nos salões palacianos, de onde se espera exemplos de civilidade, o ministro Celso Amorim ficou amuado com jornalistas que lhe queriam fazer perguntas sobre o Brasil, quando ele só queria falar da Jamaica. Depois, ficaram a gritar pelo presidente, na tentativa de serem ouvidos, uma vez que não podiam se aproximar dele.

– Que mal-educados! – foi a opinião de Luiz Inácio da Silva.

O mesmo diria Danuza Leão. Que gente deselegante! Inclusive o presidente, que não concede entrevistas regulares e trata a imprensa como se fossem os bárbaros de Lenin querendo tomar de assalto as porcelanas de dona Marisa Letícia.

A conversação é uma das artes da boa etiqueta. Na sala com Danuza, Lula aprenderia que é de bom tom conversar tanto com o vizinho da esquerda quanto com o da direita, e com os convivas à sua frente, dando especial atenção ao que dizem o anfitrião e a anfitriã. Conserve uma atitude atenta sem ser tensa ou ansiosa. Cuidado com os efeitos das bebidas.

Danuza Leão é irmã da cantora Nara Leão, foi mulher de Samuel Wainer, o fundador do jornal Última Hora, e do compositor e jornalista Antônio Maria. Elegante de berço, conhece éticos, éticas e etiquetas desde menina de Ipanema, quando a capital da República era arejada pela elegância da Baía de Guanabara. Elegantes tempos aqueles. Com a transposição dos palácios para o Planalto Central, nossas cabeças coroadas saíram da Confeitaria Colombo para comer buchada de bode na beira da estrada Rio-Brasília. Trocaram o champã nos salões do Copacabana Palace pelo uísque de duvidosa procedência no hotel do sinistro Sérgio Naya, em Brasília.

À mesa com Danuza, os comensais do poder estariam nos seus devidos lugares. Delúbio Soares aprenderia que a anfitriã é a primeira a sentar-se, e será seguida pelas demais mulheres. Antes de se sentar, Marcos Valério saberia que os homens devem ajudar a senhora à sua direita a se sentar, posicionando e empurrando convenientemente a cadeira, a fim de que ela possa ter as duas mãos livres para acomodar o vestido. Feita esta gentileza, Severino Cavalcanti seria instruído a aguardar que o anfitrião se sente para ocupar o seu lugar e o Zé Dirceu, sem nenhuma arrogância, tenha que ajudar a duas senhoras, primeiro à sua direita, depois à sua esquerda.

Também quem nunca comeu caviar, quando come se lambuza. À mesa com Danuza, o poder saberia servir-se do banquete da viúva. Diz a etiqueta: o bufê, num restaurante ou numa recepção, permite à pessoa servir-se na mesma ordem dos pratos de uma refeição completa servida à francesa – entradas, sopas, os comestíveis do primeiro prato e do prato principal.

O deselegante enche o prato de comida misturando todos os sabores e faz lambança com um prato transbordante de comida.

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