Gente pobre, gente rica, curitibanos de todas as estrações formam fila na porta de uma produtora cinematográfica que publicou anúncio nos jornais procurando pessoas que tenham mantido contato pessoal com Francis Ford Coppola em Curitiba, para participar de um documentário sobre a histórica estadia do cineasta no Paraná.
Portando autógrafo ou uma foto ao lado do “poderoso chefão”, todos são da mesma opinião: consideram Coppola um figuraço. Até mesmo os que não entraram na fila enviam mostras da simpatia do americano. Por exemplo, Daniel Taborda Ribas Marques, estudante de jornalismo, não só tirou uma foto com ele, como também entabulou cinco minutos de conversa no hall do hotel Bourbon.
Teve gente que até voltou pra fila, só para contar uma nova história sobre as peripécias de Francis Ford Coppola em Curitiba. É o caso do primeiro curitibano a recepcionar o cineasta, o motorista de táxi que o conduziu do aeroporto Afonso Pena ao hotel, e que no percurso fez um giro pela favela da Vila Pinto, a pedido do ilustre visitante.
Segundo o taxista, na manhã de ontem foi surpreendido por um telefonema do próprio Coppola, pedindo para ser levado a conhecer a famosa Curva do Tomate. Um ponto turístico de Curitiba, convenhamos, absolutamente inusitado, pois não existem registros nos anais da cidade de um só turista que tenha manifestado essa intenção. Só mesmo um diretor de cinema que tenha ficado maluco dirigindo Marlon Brando para querer conhecer a Curva do Tomate – imaginou o taxista.
De maluco, Coppola não tem um gesto do Marlon Brando. Queria e foi conhecer a Curva do Tomate, pois lá ainda se encontra a casa da família do percussionista brasileiro Airto Guimorvan Moreira, um dos criadores da trilha sonora do filme Apocalypse Now. Situada no bairro Uberaba, até bem pouco tempo no caminho para o aeroporto, a Curva do Tomate é endereço onde Airto Moreira e a esposa e cantora Flora Purin anualmente retornam, mesmo agora morto o pai, mas ainda residência familiar.
Para render homenagens a um figuraço, surgem outros figuraços. É o caso de um senhor aposentado de origem portuguesa que se apresentou como “testemunha ocular da História”.
– Não só tenho uma foto autografada ao lado do Coppola, como também tenho outra de raro brilho e igualmente autografada: em 1957, posei para uma foto ao lado do general Francisco Craveiro Lopes, então presidente de Portugal, quando este meu ilustre conterrâneo pela primeira vez visitou Curitiba. Estou eu à esquerda, Craveiro Lopes ao centro e o governador Moysés Lupion à direita.
Outro curitibano que conta ter sido fotografado junto ao Coppola é o engenheiro Emílio Garcia Diaz. E com um exclusivo detalhe: ambos orgulhosamente envergando a camisa rubro-negra do Clube Atlético Paranaense.
– Foi no camarote da Arena, no meio tempo do clássico de quarta-feira. E tenho para testemunhar o seguinte: Coppola é atleticano! Não só cantou aquele hino dos Fanáticos, “coxarada filha da….”, como também cantou a mesma música (Another Brick in the Wall – do grupo Pink Floyd), com a letra completa, em inglês. Só tem um porém: não tenho a foto pois, por uma desgraça, queimou o filme.
Até domingo, e juro que é verdade: sábado Coppola inaugura a Feira de Antiguidades da Praça Espanha.