Em meados da década de 1970, eu criei um personagem chamado Pressrelease. Personagem inspirado nos profissionais de comunicação que prestavam serviço ao governo militar e nos censores da ditadura que varejavam jornais e jornalistas.

A tira em quadrinhos saía diariamente no jornal O Estado do Paraná e mostrava como empregar a semântica a serviço da desinformação, a manipulação da opinião pública, a formulação de uma “agenda positiva” para a ditadura. Com a redemocratização, encerrei o personagem, a tira já não tinha razão de ser, em respeito aos novos tempos.

Tempo vai, tempo vem, quase trinta anos depois, sob as asas do Partido dos Trabalhadores – quem diria, caros colegas! – o governo vai remeter ao Congresso o projeto de criação do Conselho Federal de Jornalismo. E quem vai avalizar essa herança maldita é um presidente que não faz muito tempo falou e disse: “Notícia é tudo aquilo que não gostamos de ver publicado. O resto é publicidade”.



Até sexta-feira; e uma coletânea do Pressrelease saiu publicada no livro Pra mim chega, editora Beija-flor, março de 1979.

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