Como dois e dois são cinco

Quinta-feira passada o presidente Luiz Inácio Lula da Silva extrapolou: vésperas de viajar para o Haiti – e não se sabe o motivo, já que o Haiti é aqui – Sua Excelência viajou na maionese e na aritmética. Ao receber o título de doutor honoris causa da Fundação Oswaldo Cruz, o presidente cometeu um discurso e um erro matemático ao falar da importância de um bom atendimento e de uma boa recepção.

“Quando a pessoa chega no hospital, dependendo do ambiente, a pessoa já fica pelo menos 20% melhor. Dependendo do sorriso do atendente, mais 10%. Dependendo do tratamento e do carinho do médico, mais 10% melhor. Depois vai ficar tudo mais fácil porque vai precisar apenas de 50% de medicamento.

Falou e disse, fazendo as contas com os dedos das duas mãos espalmadas. Faz sentido. Mas depois ainda nos acusam de implicância com o senhor presidente. Os homens de comunicação da presidência é que estão implicando com a nossa profissão. Assim, nenhum humorista pode sobreviver nesse país. Sinceramente, a concorrência é desleal.

Somando tudo, 20 mais 10, mais 10, mais 50, mais a contribuição dos marqueteiros do Banco do Brasil para a construção da sede monumental do PT, mais o terreno que vale um real do doutor Meirelles, mais um dos carros da comitiva presidencial que atropelou um velhinho de 83 anos em Belo Horizonte, só pode ser azar.

E é azar, descobriu o jornalista Ricardo Noblat, levando em conta o amplo conhecimento do senador José Sarney a respeito do assunto: “Globo terrestre dá azar, garante Sarney, que nem a palavra “azar” pronuncia. Ele prefere dizer que globo terrestre não dá sorte. Ou tira a sorte. Assim como cocar de índio, bicho empalhado, aquário. O ministro Marcos Vinicius Vilaça, do Tribunal de Contas da União, corrobora o que diz Sarney”.

“Pois bem, completa Ricardo Noblat com um sincero apelo: uma vez instalado o globo terrestre no gabinete de Lula, surgiram as recentes denúncias contra os presidentes do Banco Central e do Banco do Brasil justo no momento em que a economia só produz boas notícias. Tira o globo do gabinete, Lula! Tira! Quem sabe que se livrando do globo possa conservar Meirelles onde ele está.”

MAMÃE EU QUERO…

O Brasil está com tudo e nós estamos prosa. O sucesso das nossas sandálias havaianas está fazendo a fortuna da turma da contravenção. Sacoleiros chiques trocaram as quinquilharias eletrônicas pelo contrabando das havaianas verdes e amarelas, cores que estão imperando no mundo fashion do eixo Oropa, França e Bahia. E como se fosse pouco, o forró é o ritmo da moda na Suíça e a música Mamãe, eu quero está nas paradas de sucesso na França, por conta de um comercial da coca-cola, onde aparecem exuberantes moçoilas de biquinininhos, cantando a música de Jararaca e Vicente Paiva, de 1937. O nosso antigo sucesso carnavalesco deve ser uma das músicas brasileiras mais executadas lá fora desde Carmem Miranda, a primeira a gravá-la.

Aqui no Brasil, a marchinha carnavalesca deve repetir o mesmo furor que está causando na Europa, por conta de nossos milhares de candidatos a vereador e prefeito.

Vamos lá, senhores candidatos, todos no mesmo tom e embalo:

Mamãe eu quero / mamãe eu quero mamar / Dá a chupeta… / Dá a chupeta… / Dá a chupeta pro bebê não chorar / (bis) /

Dorme filhinho do meu coração / Pega a mamadeira e vem entrar pro meu cordão… / Eu tenho uma irmã que se chama Ana / De piscar o olho…./ Já ficou em pestana

Olho as pequenas / Mas daquele jeito / Tenho muita pena / Não ser criança de peito / Eu tenho uma irmã que é fenomenal / Ela é da bossa e o marido é boçal

Outra vez, todos numa só voz, senhores candidatos!

Até quarta-feira; e que bichos são esses, ministro Ricardo Berzoini: uma agência para controlar a produção cultural e um conselho para fiscalizar o jornalismo? Só pode ser saudade da ditadura.

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