Com o nariz na porta

(Diário de Roma)

Não existem notícias do aperto do Euro ter afetado a história da gastronomia da Europa. Assim, Portugal não deve ter fechado o Museu do Bacalhau, na Espanha não cerraram as portas do Museu da Paella, nem mesmo na Grécia o Museu da Azeitona foi desativado, mas temos conhecimento de que na Itália o corte nas despesas do governo deve ter sido tão profundo que fecharam até o Museu do Macarrão. Acredite se quiser, porque para a nossa surpresa, quando chegamos ao Museo Nazionale delle Paste Alimentari eu fui o primeiro a bater com o nariz na porta.   

Domingo pede cachimbo e macarrão. Se a frase parece definitiva em Santa Felicidade, para a geração fast-food o macarrão é coisa de museu. Pelo menos em Roma, a dois passos da Fontana di Trevi, existia o museu do macarrão, o único do mundo. Quem entrava no número 17 da Praça Scanderbeg tinha direito a uma singular excursão através da história da Itália, com os artefatos usados pelas avós, as máquinas e os fazeres da pasta. Spaghetti, papardelle, bucatini, fusilli, farfalloni, lasagne, gnocchi, tagliatelli etc. Pasta fresca ou pastasciutta, do Norte ao Sul a Itália se une por um imaginário e compridíssimo fio de macarrão que se modela, se modifica e se tempera com molhos e condimentos diversos.

O museu, criado em 1993, era um tributo ao prato nacional da Itália, bem vivo e presente na celebração diária de um ritual familiar. Seja em Santa Felicidade, seja em qualquer recanto de Roma.

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