Agora sim o brasileiro vai bem, obrigado. Depois que o presidente Lula lançou a campanha O Melhor do Brasil é o Brasileiro, tudo ficou bem diferente e o pior já passou: ganhamos do Uruguai. As palavras do presidente chegaram na hora certa. Disse-o e disse-o bem: “Se eu só tenho um par de sapatos, eu tenho que valorizar aquele par de sapatos; se eu tenho um terno, eu tenho que valorizar aquele; se eu não tenho um carro novo e tenho um fusquinha, eu tenho que valorizar aquilo; ou se tenho um carro da Ford, um Fiesta, sei lá, nós temos que valorizar aquele”.
Em outras palavras, a seleção reserva da Copa América não é lá nenhuma Brastemp, mas temos que reconhecer o seu valor. Ela não é nenhum Airbus de US$ 55 milhões de dólares, com chuveiro a bordo, comprado na Europa para melhorar a auto-estima do presidente. É um Sucatão, mas devemos ter auto-estima e valorizar a banheira voadora. Se nós temos um timinho reserva dando pro gasto, vamos aplaudir e torcer. Tenhamos auto-estima, o timinho reserva chegou lá e agora vai disputar a final com a Argentina, no domingo, cinco en punto de la tarde.
A primeira herança maldita do Brasil sempre foi a final com o Uruguai; a segunda é a herança do FHC; e a terceira é o eterno contencioso com a Argentina, agora com um agravante: vamos enfrentar los hermanos desfalcados dos Ronaldos e já perdendo de dez a zero no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), o campeonato mundial de vida boa, sombra, água tratada na geladeira, boas leituras e dinheiro no bolso.
Portanto, a campanha lançada pelo Lula chegou em boa hora. O Melhor do Brasil é o Brasileiro, sim senhor, pelo menos nas anedotas que contamos de argentino, onde o brasileiro não perde uma. Esta é a melhor receita para melhorar a nossa auto-estima: de meia em meia hora, uma piada de argentino.
A BICICLETA – Três homens morrem e vão ao paraíso: um argentino e dois brasileiros. São Pedro examina os registros e pergunta ao argentino.
– Confesse, alma de Deus: você jamais traiu a sua mulher?
– Nem por sonho, jamais dormi com outra mulher, nem em pensamentos.
– Muito bem, alma de Deus! Entre e estas são as chaves de uma Mercedes de ouro.
A música celeste aumenta, as portas se abrem e o argentino entra no Reino dos Céus.
– E você? – pergunta São Pedro a um dos brasileiros?
O brasileiro titubeia, sabe que os registros contêm toda a verdade. E confessa:
– Só uma vez. Foi com a minha primeira namorada, na minha cidade natal, mas depois que ela se tornou viúva. E minha mulher nunca ficou sabendo. Que Deus tenha piedade de mim!
– Entre você também! E estas são as chaves de um Ford 57 enferrujado.
A música celeste aumenta, as portas se abrem e o brasileiro também entra no Reino dos Céus.
O segundo brasileiro se joga ao chão de joelhos, chorando:
– Perdão, perdão. Eu não sabia o que estava fazendo. Foi no carnaval que passou, eu não podia resistir, era como se fosse uma força demoníaca me arrastando para o pecado…!
– Erga-se, alma de Deus – interrompe São Pedro – e entre! Entre com esta!
E indica uma bicicleta enferrujada. A música celeste aumenta, as portas se abrem e o segundo brasileiro passa pedalando pelos portões celestiais.
Uma semana mais tarde, os três se encontram na praça do paraíso com os respectivos veículos. Alegres e felizes, menos o argentino, primeiro deles a entrar no Céu.
– Hermano, o que aconteceu? – perguntam ao infeliz argentino. Estamos no Paraíso e você é o felizardo que ganhou uma Mercedes de ouro!
– É verdade… é verdade, hermanos. Mas acabei de ver a minha mulher. Ela também está aqui.
– Então? E mesmo assim você não está feliz?
– Ela ganhou uma bicicleta!
Até domingo; e nossas reverências a Mário Celso Petraglia, o Marquês do Pombal. O presidente atleticano, assistindo aos jogos daquele camarote isolado e exclusivo, não é o próprio?