Há vinte anos, na noite de 26 de abril de 1986, ocorreu em Chernobyl o pior acidente nuclear da história. Criando um outro terrível cenário – e que Deus nos livre -, o que aconteceria no Brasil com a explosão da usina nuclear Angra I? Na ficção, o dia seguinte de uma tragédia por muitos já anunciada.
ANGRA DOS REIS, URGENTE – A usina nuclear Angra I explodiu e acaba de lançar 200 toneladas de material radioativo na atmosfera do litoral fluminense, num impacto comparado a 500 bombas de Hiroshima. Na explosão, vazou o sarcófago de cimento que continha 95% de material radioativo, espalhando uma nuvem de césio 137. Dezenas de pessoas morreram no local e milhares fugiram do efeito cancerígeno da radiação. A água esparramada da usina contaminou o mar, se transformou em vapor radioativo, alcançando áreas num raio de até 15 quilômetros. Outras milhares de pessoas podem morrer mutiladas e milhões serão contaminados.
BRASÍLIA, URGENTE – O porta-voz da presidência da República declarou que o presidente Luiz Inácio da Silva não sabe do ocorrido e só vai se manifestar quando retornar da Venezuela, onde se encontra em visita oficial ao presidente Hugo Chávez. Em nota oficial, a presidência da República pediu calma à população, não vendo no acidente motivos para pânico, e estabeleceu um prazo de 90 dias para que se investiguem as causas da trágedia.s
?As usinas nucleares de Angra dos Reis são motivos de orgulho para o Brasil?, afirmou outra fonte do governo, alertando que o número de vítimas e as conseqüências da tragédia ainda carecem de maiores levantamentos: ?A usina Angra I opera com um sistema de segurança eficiente e o acidente só ocorreu por falha de algum funcionário?.
?Darei apoio às famílias das vítimas e o governo irá liberar os atestados de óbito para que as famílias possam receber o seguro?, disse a ministra Dilma Roussett, que pretendia sobrevoar o local da tragédia com helicóptero, mas foi desaconselhada.
Em Brasília, não foi encontrado nenhum deputado ou senador para se manifestar sobre a catástrofe que aconteceu neste domingo, dia 13 de agosto de 2006. A maioria dos parlamentares estava em suas bases. Alguns se encontravam justamente em Angra dos Reis, neste fim de semana de muito calor. A caminho do Nordeste, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), garantiu que iria recolher assinaturas para instaurar a CPI Atômica para indiciar os responsáveis.
As explosões chegaram a ser ouvidas na orla de Copacabana e, momentos depois das edições extraordinárias das tevês, a população foi às ruas com faixas e cartazes: ?Queremos paz!!!?.
A tragédia repercutiu no mundo. O New York Time saiu com a explosiva manchete: ?Usina nuclear explode na Argentina e ameaça EUA?. De Buenos Aires, o Clarin noticiou: ?Brasil foi para o espaço, sem astronauta?. O jornal Folha de S. Paulo estampou em sua primeira página um infográfico com título: ?Veja as praias do litoral paulista que não foram contaminadas?. O Estado de S. Paulo foi sucinto: ?Nuvem negra ameaça futuro da nação?. Já o matutino carioca O Globo informou: ?Poluição em Angra não ameaça Ipanema?.