Cardápio da Copa

A seleção do Dunga pode perder todas as partidas nos próximos cinco anos, mas já está garantida nas duas próximas Copas: ano que vem na África e em 2014 no próprio solo desta mãe gentil. Infelizmente, o mesmo não acontece com o Paraná. Curitiba está ameaçada de não receber nem mesmo o treino da seleção dos Camarões.

Curitiba está com a bola murcha, garante um alto dirigente da Fifa. Com dois metros e cinco de altura, nascido num cantão suíço, o cartola internacional que prefere se manter no anonimato nos assegurou que Curitiba não está obedecendo o caderno de encargos para a Copa do Mundo de 2014. Seguem os principais tópicos da entrevista:

Lixo: Sinto dizer, vocês não estão com essa bola toda. Apesar de todo o prestígio internacional, estamos vendo muitos problemas na cidade de mister Lerner. Um dos mais graves se trata da questão do aterro sanitário da Caximba. Se o governo do Estado e prefeitura não chegarem a um acordo quanto à destinação do lixo, Curitiba estará inapelavelmente fora da competição.

Mobilidade: Com tempo curto, verba também, o projeto do metrô ficará para inglês ver. Conversa para boi dormir, como dizem vocês dos políticos brasileiros. Mesmo assim, sabíamos que o atual sistema de transporte daria conta do recado. Ou seja, para uma ou duas partidas entre seleções do quinto escalão, o Ligeirinho seria mais do que suficiente. O problema é a segurança pública, porque sem garantias mínimas nem o turista do Afeganistão se arriscaria a passar pela Avenida das Torres no meio da noite. Mobilidade urbana requer também segurança. E nesse quesito do caderno de encargos Curitiba está com a nota 2,5, dizem as estatísticas. Isso relevando os engarrafamentos no entorno da Arena da Baixada. O gargalo da Rua Silva Jardim, o inferno que é atravessar a cidade assim entupida de automóveis.

Arena: Quem nos garante que o meio estádio do Atlético será concluído conforme o prometido da boca para fora? Tememos, pois até os gandulas sabem que o Furacão não tem fundos contabilizados nem para montar um time decente para chegar à Libertadores. O presidente atleticano está cumprindo tabela do Brasileirão. Se não for rebaixado é lucro. Pelos nossos cálculos, o Coritiba poderá construir antes um monumental estádio à altura de 100 anos. Aliás, aproveito para cumprimentar o Alto da Glória, apesar da derrota e da chuva que tirou o brilho da festa do centenário. No entanto, pelo espetacular foguetório, vimos que os coxas têm condições de fazer até uma abertura de Copa do Mundo.

Turismo: Acima de tudo, é o quesito que pode estragar a festa de Curitiba. Vamos por partes, começando pela Rua 24 Horas: a prefeitura precisa reformar e arrumar uma função para a Rua 24 Horas. Sem ela, nada feito. Temos notícias de que o vereador Omar Sabbag Filho apresentou sugestão de transformar a Rua 24 Horas num ponto de encontro das nações, onde cada etnia poderia ter um espaço destinado à divulgação da cultura, informações sobre o país, oportunidades sobre intercâmbios, pós-graduação, negócios etc. Ora, a ideia é brilhante, justamente agora que o Brasil ganhou as Olimpíadas de 2016.

Em off, posso adiantar outra inquietude quanto ao turismo: a vida noturna de Curitiba deixa a desejar. Ficamos sabendo que até o Bar Palácio tem fechado mais cedo, raros são os botecos com música ao vivo. As delegações da Fifa não gostam de dormir cedo. Sem compará-la à Avenida Copacabana, a Rua Cruz Machado precisa incrementar a procura e oferta e, por incrível que pareça, consta que a canja de galinha do Gato Preto já não é mais a mesma.

Por último, e não menos importante, volto a lembrar da questão de mobilidade urbana relacionada ao turismo: frango com polenta está no cardápio de Fifa. Curitiba precisa resolver os congestionamentos em Santa Felicidade aos domingos.

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