Quando anunciaram a seleção da CBF, a cerimônia oficial perdeu o brilho de outras Copas. O técnico Parreira foi para o segundo plano e quem ganhou manchetes foi a seleção do PCC.

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O esquadrão do terror parou São Paulo e o Brasil: Badanha (Pirajuí 1); Mafarrico (Avaré 1), Rabão (Franco da Rocha 2), Pé-de-cabra (Tremembé 1) e Arrenegado (CDP Osasco); Chifrudo (CDP São Bernardo do Campo), Azucrin (Potim 1) e Capirocho (Franco da Rocha 1); Sapucaio (CDP de Campinas), Mofento (CDP de Diadema) e Lúcifer (Paraguaçu Paulista). Todos sinônimos de diabo.

Marcola é o intelectual do time do inferno. Está temporariamente concentrado no RDA (Regime Disciplinar Diferenciado) do presídio de Presidente Venceslau. Sabe com antecipação as táticas dos adversários e, pelo celular, deixou claro sua forma de atuar: ?A melhor defesa é o ataque e o grupo está unido para mostrar ao mundo que com os craques do PCC não há quem possa?.

Marcos Willians Herbas Camacho é o nome dele. Marcola foi transferido no último sábado para o presídio de Presidente Venceslau (SP). Carregava na bagagem um ?sebo? eclético: Estação Carandiru, de Drauzio Varella; Cai o pano, da romancista britânica Agatha Christie, e A arte da guerra, do filósofo chinês Sun Tzu. Ao chegar, o chefe do PCC foi bem claro: ?Aqui eu não fico?.

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Marcola é um bacana e exige tratamento à altura de um líder. As mesmas deferências que nos Estados Unidos dois outros bacanas estão exigindo: ambos da Enron, o fundador da empresa Kenneth Lay e o executivo Jeffrey Skilling ameaçam uma rebelião caso não possam escolher um presídio de padrão cinco estrelas para cumprir pena. Tem fundamento a pretensão.

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Recentemente, a revista Forbes – só podia ser – divulgou uma lista dos melhores lugares dos Estados Unidos para ser preso. De cinco a duas estrelas, conforme os graus de segurança: mínima (5 estrelas), baixa (4 estrelas), média (3 estrelas), máxima (2 estrelas). Abaixo disso, todas as outras se nivelaram a Guantánamo, onde Bush hospeda terroristas árabes.

Os executivos da Enron querem o topo da lista: ?Presumindo-se que sejam condenados – diz o advogado Alan Ellis, especializado na defesa de réus de ?colarinho branco? – o lugar onde eles irão cumprir pena pode ser quase tão importante quanto o tempo que ficarão presos?.

Samuel Waskal, um outro bacana da ImClone Systems, solicitou cumprir pena de sete anos na Prisão Federal de Englin, na Flórida, uma das mais ?agradáveis? prisões do Primeiro Mundo, e para a qual foi cunhado o termo Club Fed. Algo como um Country Club federal, com música ambiente, sala de jogos, campos de golfe e celulares desbloqueados.

Nos Estados Unidos, condenado pode escolher a cana: embora não caiba ao bacana decidir o local onde cumprirá pena, ele pode escolher o endereço. Desde que o local seja compatível com a classificação de segurança que lhe foi imposta. Se há espaço disponível, os pedidos são geralmente aceitos.

Em geral é assim, mas nem sempre: o bacana Samuel Waskal, coitado, foi enviado para o Instituto Federal de Correção Schuykill, em Minersville, uma cana meia estrela, digamos, digna de um batedor de carteiras.

Quais são os critérios que fazem de uma cana americana o melhor lugar para apreciar o sol nascer quadrado? Entre outras coisas, uma cana cinco estrelas (que lá eles chamam de ?Colônias Penais Agrícolas?) tem um número reduzido de funcionários em relação aos presos, as acomodações são do estilo dormitório individual e, praticamente, não há cercas, muros ou grades. De segurança mínima, os presos poderiam simplesmente ir embora, não fossem as conseqüências mais que severas para os recapturados.

Um outro quesito que caracteriza uma cana de bacana é a qualidade de vida dos funcionários das prisões: ?Quanto mais feliz a equipe de funcionários, mais felizes os presos?.

Um bom ?serviço? é determinante para tornar alguns hotéis mais agradáveis que outros – diria Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.