A história já foi contada aqui mesmo, mas merece uma ligeira retrospectiva em vista de uma nova notícia. É a história de uma bobagem. Assim eleito Fernando Collor presidente, sob o efeito de uma etílica indignação, proclamamos aqui em Curitiba, no alto das Mercês, a separação do Sul do Brasil. Recordamos então uma velha canção de Ivan Lins, dos anos 70 – O amor é o meu país, e nasceu um slogan: O Sul é o meu país!
O galhofeiro adesivo do Bar Botafogo, bobagem de mesa de bar, espalhou-se feito praga no Sul do Brasil, dando cria para camisetas, chaveiros, estampas diversas. Virou até caso de polícia no Rio Grande do Sul, terra historicamente muito rica para o cultivo desse tipo de cultura. Depois disso, o Collor foi defenestrado, os tucanos mandaram a classe média pra Miami, Lula continua ensaiando o espetáculo do crescimento e fez-se um longo e significativo silêncio sobre o assunto. Fazia tempo que a bobagem não comparecia às páginas.
Há poucas semanas, porém, recebemos a nova notícia: os que levaram a bobagem a sério voltaram a dar o ar de sua graça em Laguna, justamente terra da revolucionária Anita Garibaldi, também cenário da libertária República Juliana. Reunidos com pompa e circunstância, os 30 principais líderes do Movimento O Sul é o meu país deliberaram pela unificação dos grupos já existentes, com o mesmo nome, e criaram uma só diretoria para os três estados: Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. O novo presidente do movimento, para mandato de um ano, é o paranaense Regis Dias.
Podem revistar os pais da frase: nenhum dos freqüentadores do Bar Botafogo possui um único original adesivo do movimento, nem mesmo alguém de nós assinou presença nessa bizarra confraria. Mas, se assim malucos não somos, de uma boa maluquice gostamos. Para a próxima reunião dos grupos unificados no Movimento O Sul é o meu país, podemos contribuir com mais bobagens. Algumas outras propostas para uma futura Assembléia Constituinte da nova nação, desde já denominada Sulmaravilha, assim, por extenso, e seus cidadãos os sulmaravilhosos:
A MOEDA – Será criado o pila. Assim a nova moeda já nascerá poderosa: valendo um pila, 10 reais. Um pila, um euro. E um pila, dois dólares.
A CAPITAL – É consenso a nova capital ser instalada em Florianópolis, tendo em vista a localização, a orla, o sol, o doce balanço do mar, o bronze, as belas mulheres, as ostras, as tainhas e todas as demais delícias que os poderes executivo, legislativo e judiciário tanto bem merecem.
SISTEMA DE GOVERNO – Monarquia parlamentarista, com o futuro rei a ser escolhido entre a atual realeza: dom Cecílio Rego Almeida, dom Gustavo Küerten, os Renner, os Gerdau, a estirpe da princesa Gisele Bündchen, lady Maryeva de Oliveira, a marquesa Vera Fischer, El Supremo das Araucárias Roberto Requião, o califa Esperidião Amin, alguém da dinastia dos Sirotski, dos Cunha Pereira, ou até mesmo os príncipes Paulo Roberto Falcão e Rafael Greca de Macedo.
PARTIDOS POLÍTICOS – Será bipartidário, seguindo a atual hegemonia política. Teremos os peteus e os pemedebeus. Os pefeleus formarão um partido anarquista clandestino, sob o comando dos Bornhausen.
A BANDEIRA – Será criada e executado pelo artista Juarez Machado, retratando no pendão bronzeado a graça, o veneno, a sensualidade e a beleza das top-models do Sul do Brasil.
HINO – Letra de Luiz Fernando Veríssimo adaptada para uma velha canção de Lupicínio Rodrigues.
IDIOMA – Todos serão bemvindos, do alemão ao japonês, do italiano ao polaco, valendo até o “cantadinho” catarina.
Até quarta-feira, e consta que o presidente do movimento, Regis Dias, está estudando propostas de São Paulo para se incorporar ao Sulmaravilha.