Assim que esvaziaram o último barril de chope das festas de outubro – a octoberfest – os catarinenses agora se divertem e choram com o apagão que deixou a ilha de Floripa no breu. Um fenômeno jamais visto pelos manezinhos, desde 1500. Sem luz elétrica, não viram o Guga sendo desclassificado novamente, mas, em compensação, estão dando gargalhadas com as tantas piadas sobre o apagão catarina. Foram 48 horas seguidas no escurinho beira-mar, causado pela explosão de um liquinho sob uma das três pontes que ligam a ilha ao continente. Para parar Nova York, foram precisos dois Boeings; em Florianópolis, bastou um liquinho.

Depois do Guga surgiram os manezinhos entendidos em tênis. Agora, depois do apagão, a Ilha formou, da noite para o dia, milhares de novos técnicos e especialistas em eletricidade. Cada qual com uma solução diferente. Pela internet, do Brasil e do mundo os ilhéus recebem manifestações de apreço e solidariedade. Mas muitos destratam os manezinhos, desdenhando das agruras ilhoas. Estas, provocaram uma feroz guerra eletrônica no fórum de debates no site do Diário Catarinense, palco da batalha online da xingação. Ali, catarinas, gaúchos, paranaenses, paulista e até argentinos, se degladiam, numa verdadeira guerra entre babuínos. Um jogando excremento no outro.

E tudo começou com uma pergunta provocadora de um gaúcho que radicalizou, chamando ainda os catarinenses de “nordestinos do sul”. Uma afronta.

– Mané, cadê a luz?

Foi a senha para desencadear a guerra nos mares da internet. Alguns torpedos, publicáveis, transcrevo abaixo:

– Mané sempre dá um jeito de ir pra praia em dia de trabalho. Qual vai ser a próxima?

– Gauchada tola, usam bombacha pra ficar com o rabo fresquinho. Porto Alegre só tem zona, a entrada da cidade é uma favela e a cidade é uma sujeira só!

– Seus burros! São os gaúchos e paulistas que sustentam vocês. E suas mulheres.

– La verdad que es lo que voy a hacer, desfrutar de las playas, comer en los mejores restaurantes y cogerme las mejores meninas de la isla y despues voy a volver a casa.

– Gringo F.D.P! Fica falando mal da Ilha e não tira o rabo daqui. Fica aí na cacaca dessa tua cidade, isto se você mora mesmo nesse País de josta. E até é bom vocês não virem para cá, sujar nossa cidade e nossas praias. Cambada de porcos!

– Ilha maravilhosa, manezada desastrada!

– O meu prédio retrata fielmente o caráter desses gaúchos que estão vindo em bando para Floripa: são os que não pagam condomínio e mesmo assim são os que falam mais alto nas reuniões. As mulheres gaúchas são tão galinhas que é só jogar água quente nelas para que a canja fique pronta.

– Só para constar: menos de 10% dos alunos da UFSC são paranaenses. Se nós somos tudo aquilo que vocês falam, por que vocês, inteligentíssimos, têm que vir pra cá? Por que não passam no vestibular aí mesmo na origem?

– Sinceramente, é triste ver a traição do povo gaúcho que é tão bem recebido em Floripa e continua falando mal da terra que os acolhe.

– Catarina, vá comer pirão!

– Com gaúcho veio desemprego, com paulista veio bandido, com carioca veio traficante!

– Nestes dias sem luz, fiquei sem ver televisão e nem pude ficar na internet. Nós manés é que temos o direito de reclamar, pois nascemos aqui. Os inconformados é que se mudem. A Ilha é dos catarinenses. O que vocês gaúchos e paulistas estão fazendo aqui? Vindo pra cá, vocês tiram nosso direito de trabalhar e estudar. Por que vocês não vão se dar bem na vida aí mesmo na terra de vocês?

– Já morei em várias cidades: São Paulo, Curitiba e Londres, porém nunca fiz o que alguns forasteiros estão fazendo por aqui.

– Florianópolis é parte do território nacional, nós paulistas temos o direito de estar aqui. Com luz ou sem luz.

– Hoje à noite tem vento sul. Será que a “enjambrada” da Celesc agüenta?

– Não agüentou!

– Não credito! De novo?

Até sexta-feira, e o título “Blackoutfest” é de uma charge do cartunista catarinense ZéDassilva.

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