Bar é barra

Do italiano “botteguino”, diminutivo de “bothega” ou bodegas onde se vendiam de remédios a secos e molhados, as boticas se transformaram em botequins como se conhece hoje. Quando se diz que bar é barra, a afirmação procede. O bar deve seu nome à palavra barra. No século XVII, na França, as tavernas tinham uma barra a todo comprimento do balcão para evitar que os bitruqueiros se encostassem demasiado. Como era frequente a presença de americanos em Paris, dois desses estudantes abriram nos Estados Unidos um botequim igual aos franceses. O local virou moda e a barra do balcão também. E assim a palavra barra, “bar” na escrita inglesa, ganhou o mundo.

Atualmente, bar está sendo uma “barra pesada”. Não mais como devia ser na origem, um lugar para sentar e conversar com os amigos, com este preceito do cartunista Jaguar: “Um bom botequim tem que ter principalmente um bom dono. Se o dono é chato, já azeda. Tem que ter um garçom que te compreenda. Um garçom é quase como um caso que você tem com uma mulher. Só que é muito mais difícil achar um bom garçom do que uma boa mulher”.

No tempo em que se associava as bodegas aos remédios da alma, quando a televisão não substituía a boa conversa, nas noites da ditadura o que mais se temia era o guarda de quarteirão que se achava acima do bem e do mal. Mais perigoso que a voz autoritária de um general era a voz da ignorância de um guarda de quarteirão. Com o truculento da esquina não tinha conversa, assim como os leões de chácara de hoje não têm ouvidos para esses moços das baladas – antes de qualquer coisa arruaceiros, caloteiros ou suspeitos. Certos bares de Curitiba estão parecendo penitenciária de segurança máxima, cercada de seguranças por todos os lados: é preciso atravessar o cordão de isolamento, preencher a ficha, e entrar em fila para rogar o favor de ser servido por garçons que não se sabe se são anjos da guarda ou guarda costas.

Anjos da guarda ou guarda costas? – eis a questão que precisa ser discutida, antes que os bares de Curitiba não tenham mais remédio.

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