Às vistas da cidade

Foi em 1974, no século passado, quando adentrei pela primeira vez nesta Redação de O Estado do Paraná. Este poderoso rotativo tinha se transferido da Rua Barão do Rio Branco para o Alto das Mercês, era o meio dos anos de chumbo, o fim dos tipos de chumbo e o começo da impressão em off-set. Depois de quase 32 anos, nunca me imaginei transformado em personagem de reality show.

A Redação de olho na câmera de televisão.
Ao fundo, Osmar Padilha, Rossane Lemos e Ivete Azzolini.

Esta Redação é uma das mais bonitas que se conhece. Daqui do Alto das Mercês, junto à TV Iguaçu, canal 4, a vista é aberta à cidade. Temos uma visão panorâmica de Curitiba, no sentido sul, sudeste, leste, nordeste. Bem em frente, feito um totem, a torre da Telepar, que em certos dias de inverno perpassa as nuvens. Abaixo da vista, o Jardim Schaffer.

É da nossa rotina observar a cidade. Mas nunca foi da rotina a cidade nos observar. Há poucos dias nos transformamos em personagens de reality show, depois que o Dr. Paulo Pimentel teve a idéia de trazer para dentro da Redação do jornal parte do jornalismo da televisão. Um estúdio foi montado no fundo e à esquerda da vista da cidade, onde a jornalista Rossane Lemos e a gerente de jornalismo, Ivete Azzolini, apresentam no final da tarde, pelo SBT – 17h e 18h30 – , as últimas que estão sendo editadas aqui na Redação. Enquanto escrevemos estas linhas, tendo a cidade às nossas vistas, estamos às vistas da cidade.

Ao digitar estes 2.665 caracteres, ao vivo e em cores, devo ter sido visto de costas, já de cabelos brancos, ou, como diz o Lula, levantando o traseiro da cadeira para me certificar com o chefe de reportagem, Anselmo Meyer – à minha direita e de frente para a câmara – se o Morro do Anhangava pode ser vislumbrado daqui. Sim, ontem as nuvens cobriam a Serra do Mar aqui em frente, mas em dias de céu límpido ele se mostra à esquerda, a bombordo desta nau em que navegamos desde 1974.

Agora mesmo, quem sabe, você pode notar o fotógrafo Orlando Kissner atravessando a Redação. Quando explodiu um caminhão de dinamite no bairro Cabral, em 2 de setembro de 1976, aqui deste mirante privilegiado fomos os primeiros a ver o cogumelo de fumaça preta, junto com nossa equipe de reportagem, coincidentemente próxima ao local. Orlando Kissner era o motorista da equipe e escapou com ânimo para se fazer um dos maiores fotógrafos do Brasil, com passagem pelas revistas Veja, Placar e Jornal O Estado de S. Paulo.

Kissner atravessa a redação, às suas vistas, enquanto a jornalista Rossane Lemos anuncia aos telespectadores que ?Lerner permanece internado, sem previsão de alta?.

Rossane Lemos e a câmera da televisão,
de olho na Redação.

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