| Nosso correspondente Massachussets da Silva. |
Danielle de Sisti, nossa editora de Turismo, acaba de voltar da Suíça. Viajou a convite do Centro de Turismo Suíço e nos trouxe de Weggis alguns bons-bocados de chocolate e uma carta do nosso correspondente Massachussets da Silva.
Na Copa do Mundo de 1970, Massachussets se perdeu a caminho do México e passou me-e-e-e-ses sem dar notícias. Desta feita, ele chegou ao destino, atesta Danielle: encontrou o velho jornalista sambando na passarela do samba que dá acesso ao campo de treinamentos da seleção brasileira, nos braços de uma mulata. O veterando cronista esportivo redigiu seu despacho numa conservada Remington, companheira de trabalhos desde a Copa de 50.
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(Massachussets da Silva, de Weggis) – Caros, a Suíça se tornou uma redução do Brasil. Na rua principal, um sambódromo; na passarela que dá acesso ao campo de treinamentos da seleção brasileira, um camelódromo. Tudo dominado de verde e amarelo, numa profusão de plumas e paetês: espetinho de churrasco, bife no pão, caipirinha e cerveja brasileira é o que há. Tem suíço no axé, até cambista e trombadinha. Um jornal local pintou com preconceito esta maravilha de cenário: "Os brasileiros acreditam que a vida só pode acontecer com criminalidade, engarrafamento e alegria".
O jornal só faltou dizer que a vida dos suíços não seria a mesma, não fossem nossas belas mulheres. As mulheres de Weggis.
| Sheila Soares e Ronaldinho, rolando na grama. |
Sheila Soares o mundo já viu: varou a cerca e foi dar um amasso em Ronaldinho Gaúcho. A falsa loura de 30 anos se identificou como dona de uma loja de roupas em Eschembach, perto de Zurique: "O meu sonho era agarrar o Ronaldinho". Conseguiu.
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Nos primeiros dia de treino, as brasileiras de Weggis fizeram a diferença. Uma delas muito especial. Paraibana, nasceu em João Pessoa, que tem as praias mais quentes do nordeste. E, pelo visto, em Weggis, suas mulheres têm a mesma temperatura. Mãe solteira, conheceu o suíço na praia do Picãozinho, onde os peixes coloridos dos corais vêm comer na mão dos banhistas, e seguiu o caminho da grande maioria das mulheres de Weggis. Casou com o marido de papel passado, contrato matrimonial que dá direito à casa, comida, roupa lavada e férias conjugais remuneradas.
No dia 24, primeiro treino da seleção brasileira, a paraibana levou a filha de 12 anos e o marido para a terceira fila do gargarejo, um pouco acima dos ouvidos da imprensa. Todos perfeitamente uniformizados de verde e amarelo, o animado suíço se destacava com uma bandeira na mão, enquanto a esposa destrambelhava: "Ronaldinho gordo gostoso!". O maridão repetia: "Ronaldinho gordo gostoso!".
Quando Kaká corria pela lateral, o estádio ouvia: "Káká é um tesão!". E o marido repetia: "Kaká é um tesão!".
– Vocês não acham o meu marido uma gracinha? – dizia a paraibana, roubando o treino. "Eu ensino tudo pra ele na cama e ele me ensina a tirar leite de vaca. Esse bichinho é escolado comigo, e com sotaque paraibano! Não é llliiindo?"
Fenômeno era o suíço, falava alemão com sotaque paraibano:
– Marido, diz aí o que é que eu sou?
– Gostóóósa!
– Marido, diz aí o que você é?
– Gostosão tesão!
Quando a bola rolava para os pés de Roberto Carlos, a paraibana esbanjava no sotaque:
– Roberto Carlos, coxa grossa, vai lá em casa! Vai lá em casa que te mostro o que fazer com a bola, Roberto Carlos!
Quando Ronaldinho Gaúcho pegava na bola, um delírio:
– Ronaldinho, bota um aparelho na boca e vem aqui me beijar! Ronaldinho é llliiiindo! Llliiindo!
Enquanto a mulher caprichava nos adjetivos, o maridão suíço narrava o treino para um amigo, pelo telefone celular:
– Ronaldinho gorrrdo gostoso, Ronaldinho Gaúcho é lindo, Kaká é um tesão e Roberto Carrrlos coxa grrrossa vai lá em meu casa aprrrender com meu mulherrr o que fazerrr com a bola!
E sorria feito um Papai Noel.