Na CPI do Mensalão, nem todas as perguntas estão sendo respondidas. De algumas delas não se obtêm respostas porque não seria saudável indagar. Outras, de tão escabrosas, não são perguntas que se façam com crianças na sala. Entre tantas, uma delas a sociedade brasileira clama por resposta: qual a cor e marca da cueca usada pelo assessor parlamentar petista?

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A criativa e brava Polícia Federal falha nos pequenos detalhes. Divulga numerários em dólares e reais, tipifica os crimes, nomeia os criminosos, mas nos priva de informações que podem não interessar do ponto de vista criminal, mas são de suma importância para se fazer uma análise minuciosa dos fatos. Quando se conta uma história, ou se conta um conto, o detalhe dos fatos é que dá veracidade à narrativa.

Quando da prisão do assessor parlamentar petista, a notícia seria de maior impacto se, junto com as pilhas de dólares, fosse mostrada a malsinada cueca: caso se exibisse uma cueca cor-de-rosa, o indiciado poderia ser liberado no mesmo instante, porque o suspeito seria por demais suspeito, convenhamos. Outrossim – como escreveria o escrivão do processo -, se a cueca fosse vermelha, de um vermelho bandeiroso, não resta a menor dúvida, estaria evidente a cor partidária e a origem política do delito. São detalhes, porém detalhes fundamentais. Infelizmente, até o presente momento não se tem notícia da cor da cueca de José Adalberto Vieira da Silva, assessor do deputado irmão do Zé Genoino, para quem trabalhava quando foi preso com R$ 200 mil numa bolsa e US$ 100 mil na cueca.

Igual sucede com cuecas, os fatos também vazam e o segredo da marca da cueca está desvendado. O jornalista Horácio Braun nos envia de Blumenau, Santa Catarina, uma informação que pode mudar os rumos das investigações da CPI do Mensalão. Segundo fontes fidedignas da Polícia Federal catarinense, trata-se da marca Murilan, fabricada em Gaspar, tradicional pólo confeccionista de moda íntima. Esta informação já estava sendo divulgada na internet e fez com que, surpreendentemente, a Murilan recebesse mais de mil pedidos vindos de todo o Brasil. O maior deles foi feito pela Daslu, o templo da sonegação paulista. Um outro grande pedido veio de um doleiro da Avenida Paulista, que solicitou 200 mil unidades para ontem.

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Tendo em vista o repentino sucesso da marca, os proprietários da empresa, ?ligeiros no raciocínio e bons empresários da área?, nos conta Horácio Braun, estão lançando uma linha de cuecas especiais, com suportes elásticos reguláveis para se portar até um milhão de dólares. As cuecas Murilan chegam agora nas boas casas do ramo nos seguintes tamanhos: P de pequeno, M de médio, G de grande e o tamanho PT (Para Transporte), com suportes elásticos especiais e reguláveis.

Segundo analistas econômicos, a cueca do assessor petista é um marco na indústria e vai mudar o perfil industrial do segmento. Com o sucesso das novas cuecas PT (Para Transporte), o setor deve diversificar a produção, partindo também para a confecção de malas e bagagens, pois este novo tipo de cueca, com suportes elásticos especiais e reguláveis, também se enquadra no segmento de viagens. Consultado, um marqueteiro sugeriu um novo nome para quem tenha intenção de investir na indústria de moda íntima: Cuecas Genuína, as que guardam o seu maior valor.

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Da ponta da produção, à ponta do consumidor, muda também o perfil das lojas especializadas: ao lado das cuecas, o consumidor também vai encontrar carteiras, porta-moedas, porta-cheques, armas e munições, coletes de segurança, limusines blindadas, colarinhos brancos e calças de veludo que já vêm com a bunda de fora.

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Ainda de Santa Catarina: assistindo à performance da governista Ideli Salvatti na CPI do Mensalão, um manezinho indignado mandou o seguinte telegrama à senadora Salvatti: ?Ideli, salva-te!?.