Vejam só em que festa de arromba no outro dia eu fui parar. Presentes no local, o rádio, a televisão, cinema, mil jornais, todos foram comemorar a entrega do título de Cidadão Honorário de Curitiba ao arquiteto Manoel Coelho.
Quase não consigo na entrada chegar, pois a multidão se comprimia na Câmara Municipal de Curitiba para ouvir o discurso da vereadora Nely Valente Almeida, tão catarina quanto o manezinho homenageado, nascido na Rua Trajano, número 2, esquina da Rua Conselheiro Mafra, num belo sobrado de arquitetura açoriana debruçado sobre o mar de Florianópolis.
Enquanto nossa vereadora varava a vida de Coelho, um tradutor catarina fazia a versão do discurso, do manezês para o leitE quentE, pois a oradora não conseguia – e na verdade até hoje nunca conseguiu – esconder aquele carinhoso sotaque de origem.
Após as palavras da esposa de nosso saudoso e querido Félix do Rego Almeida, foi a vez do filho de seu Izidro e dona Leandra levantar a poeira da história, viajar no tempo e contabilizar os velhos amigos e mestres, uma parte ali presente, outra parte presente na memória. São tantos os nomes da lista de Coelho, que quatro agora nos bastam: a esposa Denise e os filhos Luciano, Pedro Paulo e André.
Hey, hey, que onda, que festa de arromba. Após a execução do Hino de Curitiba, o manezinho foi receber os cumprimentos pela dupla cidadania no Buffet Ilha do Mehl. Logo que eu cheguei notei o arquiteto Carlos Eduardo Ceneviva com um copo na mão, enquanto o arquiteto Fernando Popp bancava o anfitrião, apresentando a todo mundo a mineira Débora Ciociola, nova arquiteta do IPPUC. Belmiro Castor Valverde ria e Leila Pugnaloni desistia de agarrar um doce que do prato não saía. Hey, hey, que onda, que festa de arromba! Lá fora um corre-corre dos brotos do lugar, era o ator Luís Melo que acabava de chegar. Hey, hey, que onda, que festa de arromba.
Mas vejam que chegou de repente o doutor Sanito Rocha com seu velho coração, enquanto Ivens Fontoura esbarrava em mim, ao observar as obras do nosso grande arquiteto expostas ao longo das paredes do Buffet Ilha do Mehl: o novo mobiliário urbano de Curitiba, todos os campi da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, o Colégio Santa Maria, o campus do UnicenP – Centro Universitário Positivo, entre outros grandes projetos que deram a Manoel Coelho reconhecimento internacional.
Reconhecimento que o manezinho exibe com orgulho, porque esse manezinho é bem exibido: medalha de bronze da Bienal Internacional de Arquitetura de Sofia, Bulgária; prêmio pelos projetos de Comunicação Visual e Mobiliário Urbano para Curitiba na 3.ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo; prêmio pelos projetos para a Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR – e sistema de sinalização dos terminais de transporte urbano de Curitiba; sala especial de arquitetura para cultura no mundo, na 4.ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo; prêmio pelo conjunto da obra exposta no XV Congresso Brasileiro de Arquitetos Oscar Niemeyer; prêmio para o Projeto de Identidade Visual de Curitiba, na 2.ª Bienal Brasileira de Design; prêmio profissional destaque na área de projeto, no ano de 2001, do Instituto de Engenharia do Paraná. Em 2003, participou com sala especial, junto aos maiores nomes da arquitetura brasileira, na 5.ª Bienal Internacional de Arquitetura e Design de São Paulo.
Arrombaste, Coelho!
Para quem ainda não foi além de Garuva, ?Arrombaste, Laila!? é uma expressão dos manezinhos de Floripa. Veio de uma elegante senhora de nome Laila, que freqüentava um bar do Mercado Público. Ela era também conhecida como ?Condessa de Biguaçu? por suas expressões e modos refinados. Certo dia, Laila assim pediu ao manezinho do bar:
– Por favor, me serve algo cítrico!
– Cítrico, dona Laila?
– Sim, algo cítrico: uma laranjada ou uma limonada.
O manezinho arregalou os olhos e devolveu em alto e bom som:
– Arrombaste, Laila!
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Arrombaste, Coelho! Me admira de ti: é uma vida de arromba!