Hoje é o Dia do Amigo. E dos muy amigos, por supuesto, deve estar pensando Luiz Inácio Lula da Silva: com amigos como estes, não preciso de inimigos. Só o Zé Dirceu me basta.
No Dia do Amigo, Zé Genoino encontra um velho amigo militante petista num boteco de São Paulo e travam eles o seguinte diálogo:
Zé Genoino – Salve!
Amigo – Como é que vai?
Zé – Amigo, há quanto tempo!
Amigo – Um ano, ou mais
Zé – Posso sentar um pouco?
Amigo – Faça o favor
Zé – A vida é um dilema
Amigo – Nem sempre vale a pena
Zé – Pô!
Amigo – O que é que há?
Zé – O Lula acabou comigo
Amigo – Meu Deus, por quê?
Zé – Nem Deus sabe o motivo
Amigo – Deus é bom
Zé – Mas não foi bom pra mim
Amigo – Todo amor um dia chega ao fim
Zé – Triste
Amigo – É sempre assim
Zé – Eu desejava um trago
Amigo – Garçom, mais dois
Zé – Não sei quando lhe pago
Amigo – Se vê depois
Zé – Estou desempregado
Amigo – Você está mais velho
Zé – É
Amigo – Vida ruim
Zé – Você está bem disposto
Amigo – Também sofri
Zé – Mas não se vê no rosto
Amigo – Pode ser
Zé – Você foi mais feliz
Amigo – Dei mais sorte com a Beatriz
Zé – Pois é
Amigo – Tudo bem
Zé – Pra frente é que se anda
Amigo – Você se lembra dela?
Zé – Não
Amigo – Lhe apresentei
Zé – Minha memória é fogo
Amigo – E o l´argent?
Zé – Defendo algum no jogo
Amigo – E amanhã?
Zé – Que bom se eu morresse
Amigo – Pra que, rapaz?
Zé – Talvez Lula sofresse
Amigo – Vá atrás
Zé – Na morte a gente esquece
Amigo – Mas no amor a gente fica em paz
Zé – Adeus
Amigo – Toma mais um
Zé – Já amolei bastante
Amigo – De jeito algum
Zé – Muito abrigado, amigo!
Amigo – Não tem de quê!
Zé – Por você Ter me ouvido
Amigo – Amigo é pra essas coisas!
Zé – Tá
Amigo – Toma um real
Zé – Sua amizade basta
Amigo – Pode faltar
Zé – O apreço não tem preço, eu vivo ao deus-dará… O apreço não tem preço, eu vivo ao deus-dará
Zé Genoino se afasta. Começa então a tocar no rádio do boteco a música de Aldir Blanc e Sílvio da Silva Jr.
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Ao companheiro Luiz Inácio Lula da Silva, que agora deve estar sentindo a falta de bons e sinceros amigos, esta breve reflexão de Oscar Wilde acerca de amigos ?que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim?.
?Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que ?normalidade? é uma ilusão imbecil e estéril.??
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No Dia do Amigo, salve a estréia do amigo Solda, que a partir deste Dia do Amigo vamos compartilhar a charge editorial deste O Estado do Paraná, nosso velho amigo de 54 anos. O paulista Luiz Antônio Solda veio de Itararé, este catarina veio de Nova Trento, e aqui sentamos lápis, caneta e papel para nos tornarmos paranaenses. Começamos a desenhar juntos e juntos aprendemos a correr risco. Por isso digo, sem risco, estamos entre bons e sinceros amigos.